Toulouse-Lautrec completa 150 anos

Martirizado por problemas físicos, pintor francês produziu suas obras em estreita relação com cabarés parisienses

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Cabarés. 
Boa parte da obra de Tolouse-Lautrec retratava a vida e a rotina nos cabarés parisienses
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Cabarés. Boa parte da obra de Tolouse-Lautrec retratava a vida e a rotina nos cabarés parisienses

São Paulo. Era feio. Tinha narinas largas, língua e lábios grossos, dificuldade para falar, tendência para babar. Um corpo normal da cintura para cima, mas com pernas curtas que resultavam em uma altura de 1,52 m, o que o tornava quase anão. Suas mãos, bem, criavam maravilhas: um quadro seu, “La Blanchisseuse” foi vendido em um leilão da Christie’s, em 2005, por US$ 22,4 milhões. Ele era Henri de Toulouse-Lautrec, que nasceu há 150 anos, em 24 de novembro de 1864, em uma nobre família francesa.

Ainda criança, Toulouse-Lautrec já demonstrava seu talento com desenhos e pinturas e começou a ter aulas. Aos 13 anos, ele fraturou o osso da coxa direita. Aos 14, o da esquerda. Toulouse-Lautrec nunca se recuperou completamente. Suas pernas pararam de crescer, o que fez dele quase um anão. Com a saúde sempre precária, a Toulouse-Lautrec restava a pintura, e foi a ela que se dedicou. Foi, em 1882, apresentado a Jean-Louis Forain (1852-1931), que aperfeiçoou sua educação artística. Conheceu também o pintor Léon Bonnat (1833-1922), que o recebeu em seu ateliê, mas, sem qualquer delicadeza, disse: “Sua pintura não é ruim, mas seu desenho é atroz”. Toulouse-Lautrec foi, depois, para o ateliê de Fernand Cormon (1845-1924), e através dele se interessou pelo impressionismo e pela arte contemporânea, pintando quadros que hoje estão nos melhores museus.

Em 1884, conheceu Edgar Degas (1834-1917), a quem passou a admirar. Dois anos depois, conheceu Van Gogh (1853-1890) no estúdio de Cormon. Os dois se tornaram amigos, pintaram e fizeram exposições juntos. No mesmo ano, teve um breve relacionamento com Suzanne Valadon (1865-1938), a quem pintou várias vezes. Muitos acreditam ser ela a modelo de “La Blanchisseuse”.

Os sócios do cabaré Moulin Rouge, em Paris, encomendaram a Lautrec o pôster da reabertura da casa. O resultado apresentava um estilo revolucionário. Às vezes, Lautrec desaparecia, passava dias sumido do Moulin sem que ninguém soubesse dele. Eram os períodos de suas mais variadas e bem-sucedidas incursões artísticas. Os nus sensuais e eróticos estavam em evidência até mesmo nas casas burguesas. Ele era muito agradecido pela liberdade que lhe davam para estudar suas atividades. As prostitutas se abraçavam e beijavam na frente dele, que observava e depois colocava em seus quadros. Há cerca de 50 pinturas suas com o tema bordel.

Martirizado pela sua pequena estatura e aparência física, Toulouse-Lautrec se socorria na bebida. Em 1893 o alcoolismo começou a cobrar seu preço e ele acabou internado em uma clínica psiquiátrica. Depois de sair, contudo, voltou à antiga rotina. Sofre um derrame. Recupera-se parcialmente. Sofre um segundo derrame. É levado para a casa da mãe em Malrome, e lá acaba morrendo às primeiras horas de 9 de setembro de 1901.

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