Visão global e sem vaidades

Autor agora assume função que tem, entre outros atributos, revelar novos talentos na teledramaturgia da casa

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Renovação. Silvio de Abreu acredita que foi escolhido para o cargo por ser um dos maiores entusiastas da renovação
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Renovação. Silvio de Abreu acredita que foi escolhido para o cargo por ser um dos maiores entusiastas da renovação

A rotina de Silvio de Abreu mudou drasticamente nos últimos meses. Quando não está com alguma novela no ar, o autor costuma ficar à frente de algum projeto de supervisão ou busca inspirações para futuros folhetins. No entanto, com a aposentadoria do diretor geral de entretenimento da Globo, Manoel Martins, a emissora resolveu criar cinco diretorias específicas para a área. E coube a Silvio assumir o cargo de diretor de dramaturgia diária. “Quando surgiu o convite, vi que eu já fazia um pouco desse trabalho nas produções que supervisionei. Não tive receio, mas sei das responsabilidades do cargo. Além de aprovar sinopses, me intrometo em qualquer questão relacionada ao artístico. Estou na televisão há muitos anos e vi que essa era uma oportunidade única”, valoriza. Às vésperas dos 72 anos – a serem completados no próximo dia 20 –, ao lado de Cassiano Gabus Mendes, Silvio ajudou a criar o conceito de novela das sete com clássicos oitentistas como “Guerra dos Sexos” e “Sassaricando”. Nos anos 90, obteve sucesso também no horário das nove, com tramas policiais do quilate de “A Próxima Vítima” e “Torre de Babel”. No entanto, também guarda seus tiros no pé, com a urbana “As Filhas da Mãe”. Embora seja um entusiasta de que a televisão invista em ousadias e novidades, o autor acredita que é necessário ter cautela e visão de negócio para reconquistar a audiência. “A televisão só cresce como produto audiovisual se ousar. Mas é preciso respeitar o público e fazer novelas boas. No entanto, saber lançar os produtos pode fazer uma grande diferença”, explica. Há muitos anos, você se dedica a descobrir e supervisionar novos autores. Acha que foi isso que fez com que a cúpula da Globo o convidasse para ser diretor de dramaturgia diária da emissora? Com certeza. Acho que, de todos os autores, sempre fui o mais a favor da renovação. Nunca tive medo de perder o meu espaço para o novo e sempre fui um entusiasta da presença dessas novidades nos corredores da emissora. Foi assim que acabei supervisionando gente que fez carreira e sucesso dentro e fora da Globo, como o (Carlos) Lombardi, a Maria Adelaide (Amaral) e o Alcides Nogueira. E recentes promessas que já se pode dizer que são autores consagrados, como a Elizabeth Jhin e o João Emanuel Carneiro. Além do fator novidade, o que mais o instiga a investir tanto em sua porção supervisor? A troca de experiências. E como um trabalho pode ser influenciado pela minha assinatura, mas seguir por uma linha totalmente diferente. Meus supervisionados foram por caminhos bem diversos. Mesmo dando meus pitacos, sempre os deixei livres para criar. O que a emissora quer são mentes pensantes e não copiadores das mesmas fórmulas. Do ponto de vista artístico, acho que tem dado muito certo. Embora a audiência das tramas esteja oscilante. Sinal de que o público anda muito tradicional? O público está querendo produtos mais tradicionais. Ousadias como “Além do Horizonte” e “Meu Pedacinho de Chão” mostram isso. Mas, ao mesmo tempo em que é preciso ter audiência, ousar e mostrar outros caminhos é de fundamental importância. Acho que é possível chegar ao meio termo. Novela é novela, tem de ter dramalhão, riso e seus arquétipos. Quando ousa demais, o público estranha. Além da escolha das tramas, como diretor da área de teledramaturgia diária você também terá voz ativa na escalação de atores e diretores. Pretende buscar novos profissionais para uma possível oxigenação desses setores também? Os diretores de núcleo são meus principais ajudantes no processo de reformulação da teledramaturgia da casa. Conheço todos e já trabalhei com muitos deles, sei os estilos e acredito que consiga identificar o que vai funcionar com o olhar de cada um deles. Sobre os atores, a emissora quer novas opções de galãs e mocinhas. Sérgio Guizé, em “Alto Astral”, por exemplo, reflete esse momento. É preciso dar oportunidade para atores com uma imagem menos desgastada. E, para isso, é preciso fuçar.

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