Na TV, vale o quanto pesa

Diretores e elenco abordam os prós e contras dos contratos por obra, tática cada vez mais comum nas emissoras

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Afonso Carlos
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Manter-se contratado de uma grande emissora de TV é o sonho de boa parte dos atores. Uma vez no casting por prazo longo – que dura em média de três a cinco anos –, a escalação para novos trabalhos, visibilidade para a carreira ou ao menos o pagamento certo todos os meses são garantias de estabilidade para os intérpretes. No entanto, uma nova política por partes das principais emissoras que investem em teledramaturgia – Globo, Record e SBT – está mudando um pouco a relação entre atores e empresas. Na tentativa de desinflacionar suas folhas de pagamento, renovar apenas o contrato de figuras imprescindíveis se tornou uma tática frequente. “Existe uma abertura de mercado. As pessoas querem novidades e os atores não pertencem a determinado canal. Contratamos de acordo com a demanda das produções. Em muitos casos, os contratos por obra funcionam bem para a emissora e para o artista”, ressalta Anderson Souza, diretor de teledramaturgia da Record. Durante os anos de expansão de seu setor de novelas e séries, de 2004 a 2010, Anderson chegou a ter 270 nomes em seu elenco. Hoje, tem pouco mais de 150.

Mesmo sem os ares de crise e audiência comprometida pelo qual passa a Record, Globo e SBT seguem por uma linha semelhante. A Globo já chegou a ter cerca de 700 nomes à disposição de suas produções, número que hoje está em cerca de 400 contratados. Atualmente, ao fim de cada novela ou série, só quem se destaca é chamado para renovar o vínculo por um período maior. “Acho que essa tática faz com que a equipe de direção da novela vá em busca de novos nomes e oxigene um pouco o elenco. É claro que precisamos de nomes famosos e consagrados, mas tem muito ator bom por aí. Nunca fiz tanto teste como agora para ‘Alto Astral’”, destaca Jorge Fernando, diretor de núcleo da atual novela das sete, onde boa parte do elenco tem vínculo por obra.

O setor de dramaturgia do SBT, além de não manter muitos contratados de longo prazo, usa o vínculo curto para dinamizar a gravação de suas produções. Contando com uma grande frente de capítulos de suas novelas, a direção coordena tudo para que o trabalho acabe o quanto antes. “Tudo tem de ser muito organizado e os ajustes de última hora são feitos na edição. Respeitamos os horários e as leis trabalhistas, mas o trabalho é feito sem enrolação”, explica Reynaldo Boury, responsável por sucessos recentes como os remakes de “Carrossel” e “Chiquititas”.

Além dessa nova ordem nos bastidores das emissoras, a busca crescente de atores já consagrados por maior autonomia artística encontra lugar nesta onda de contratos por obra. Fernanda Montenegro e Marília Pêra, por exemplo, embora estejam frequentemente no ar, há muitos anos acertam sua participação por trabalho. “Acho mais justo para mim e para a empresa. Preciso ter tempo para fazer teatro com calma. E também para cuidar das minhas coisas. Quando se é funcionária fixa, é preciso respeitar os convites”, acredita Fernanda.

No caso de Marília, a falta de bons convites para novelas e outras produções a deixou descontente com o que estava fazendo na TV. Acostumada a protagonistas e papéis de destaque, a atriz quis ficar livre para seus projetos teatrais e para dizer sim apenas para personagens feitos para ela. “É por isso que trabalho muito na TV com o Miguel (Falabella). Ele faz coisas já pensando em mim. Fazer TV é exaustivo e, nos projetos dele, eu tenho algumas regalias”, conta.

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