Rodrigo Janot defende atuação da Procuradoria na Lava Jato

Procurador-geral da república diz que "não permitirá que prosperem tentativas de desacreditar as investigações e os membros da instituição"; em comunicado divulgado neste sábado (6), ele cita a existência de nove crimes no esquema

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Rodrigo Janot defendeu atuação da Procuradoria na Lava Jato
Agência Senado
Rodrigo Janot defendeu atuação da Procuradoria na Lava Jato

O procurador-geral da república, Rodrigo Janot, defendeu neste sábado (6) a atuação do órgão nas investigações do escândalo da Petrobras.

Em nota oficial emitida pela Procuradoria-Geral, Janot diz que "não permitirá que prosperem tentativas de desacreditar as investigações e os membros da instituição".

Os questionamentos sobre a atuação do órgão em relação às investigações sobre os atos de corrupção envolvendo a Petrobras partiram de matérias veiculadas pela imprensa, segundo a Procuradoria-Geral.

No sábado, a revista "Isto É" publicou matéria denunciando conversas mantidas por Janot com empreiteiras ligadas ao suposto esquema de corrupção.

Segundo a publicação, o procurador-geral tenta costurar um acordo com as empresas para evitar que as investigações atinjam a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a nota, a investigação do escândalo já revelou a ocorrência de graves atos ilícitos envolvendo a Petrobras, empreiteiras e outros agentes, o que possibilitou ao Ministério Público Federal adotar medidas judiciais, como o instrumento da delação premiada, para acelerar a elucidação dos crimes.

Segundo a revista, Janot manteve contato direto com representantes das companhias durante os últimos sete meses.

O acordo que Janot tem oferecido às empresas, ainda de acordo com a publicação, não visa atrapalhar as investigações, mas poderia impedir uma investigação minuciosa da participação do Palácio do Planalto no esquema.

A Procuradoria-Geral da República, que é a cúpula do Ministério Público Federal, é o único órgão competente para denunciar autoridades com foro privilegiado.

Leia o comunicado na íntegra:

"Em função das recentes notícias veiculadas na imprensa, o procurador-geral da República esclarece:

1. No caso conhecido como Lava-Jato, o Ministério Público Federal apura a existência de um grande esquema criminoso instalado no País, envolvendo crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude à licitação, formação de cartel, associação criminosa, além de atos de improbidade administrativa.

2. Ante a dimensão da rede criminosa investigada, o montante dos valores envolvidos e considerando a prioridade dada pelo Ministério Público Federal ao combate à corrupção, em abril de 2014, o procurador-geral da República constituiu uma Força-Tarefa composta por procuradores da República qualificados e experientes em investigações de alta complexidade, garantindo-lhe todas as condições necessárias para o seu funcionamento. A investigação vem sendo realizada em conjunto com o gabinete do procurador-geral da República, que tem a atribuição de processar as autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal.

3. Em respeito à função institucional de defender a sociedade e combater o crime e a corrupção, o Ministério Público Federal cumprirá seu dever constitucional e conduzirá a apuração nos termos da lei, com o rigor necessário. O procurador-geral da República não permitirá que prosperem tentativas de desacreditar as investigações e os membros desta instituição.

4. Até o momento, a investigação revelou a ocorrência de graves ilícitos envolvendo a Petrobrás, empreiteiras e outros agentes que concorreram para os delitos, o que já possibilitou ao Ministério Público Federal adotar as primeiras medidas judiciais. A utilização do instrumento da colaboração premiada tem permitido conferir agilidade e eficiência à coleta de provas, de modo a elucidar todo o esquema criminoso.

5. Medidas judiciais continuarão a ser tomadas como consequência dessa investigação técnica, independente e minuciosa. O Ministério Público Federal reafirma seu dever de garantir o cumprimento da lei."

Atualizada às 13h56

Leia tudo sobre: Rodrigo JanotLava JatoPetrobras