Bate-boca pela Mesa Diretora

Pré-candidatos à presidência da Casa trocam ameaças na tentativa de ganhar o voto dos colegas

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Ataque. 

Joel Moreira convoca colegas a revelar assédio e faz ameaça
MOISES SILVA / O TEMPO
Ataque. Joel Moreira convoca colegas a revelar assédio e faz ameaça

Uma terceira candidatura à presidência da Câmara de Belo Horizonte deverá ser confirmada só na última hora, dias antes da eleição da nova Mesa Diretora da Casa, marcada para sexta-feira. O vereador Joel Moreira Filho (PTC), que ainda não oficializou seu nome, assim como os demais colegas Wellington Magalhães (PTN) e Juninho Paim (PT), é considerado “candidatíssimo” pelos demais vereadores, apesar de estar “correndo por fora” para conseguir o apoio da maioria dos parlamentares.

Ontem, Joel entrou em campo e causou a discussão mais acalorada no plenário desde que a eleição da nova Mesa se tornou o principal tema debatido no Legislativo. O vereador do PTC foi ao microfone reclamar do vazamento de informações a respeito da existência de negociação de cargos e pagamento de propina em troca de apoio para a presidência, como mostrou O TEMPO. Ele convocou os colegas a “mostrar a cara” e dizer quem são os responsáveis pelas negociações. Em seguida ameaçou “revelar” ações que complicariam outros parlamentares. O atual vice-presidente, Wellington Magalhães, reagiu às declarações e também no pinga-fogo do plenário disse que sua vida “é um livro aberto”. Mais uma vez, Magalhães voltou seu alvo para o PTdoB, que, segundo ele, sob a liderança do presidente estadual, Luis Tibé, estaria tentando “comandar” a eleição da Mesa Diretora. “Tem gente que vai nos trair, que não vai votar em mim porque eu não fiz acordo e não dei as comissões que ele quer”, afirmou Magalhães em referência ao voto dos vereadores do PTdoB. “Não tenho medo do Luis Tibé e dessa gangue que está aí”, completou. Nos bastidores, o presidente do PTdoB estaria negociando o apoio dos cinco vereadores de seu partido em troca de cargos na nova Mesa Diretora. O atual presidente, vereador Léo Burguês, ganharia um cargo. Magalhães, porém, diz não concordar. A participação de Joel nos debates sobre a Câmara teriam, segundo um vereador, o objetivo de tumultuar o processo e facilitar a arregimentação de votos para ele. “Se o processo ficar complicado, ele pode tirar votos de quem apoia o Wellington e de quem apoio o Juninho. Seria o nome de consenso no fim das contas”, conta um vereador sob anonimato. Joel não foi localizado ontem por OTEMPO. Em viagem ao exterior, Burguês não participou das últimas reuniões plenárias e foi criticado. “Ele não vai voltar ungido com todos os nomes da futura Mesa”, disse Leonardo Mattos (PV). 

Extraordinária para fechar o ano e ter férias Depois de conseguir começar a desobstruir a pauta do plenário na reunião da última quinta-feira, ontem os vereadores da capital voltaram a não apreciar nenhum projeto, e as reuniões continuam travadas com cinco vetos do Executivo. Os parlamentares já acreditam que será necessário convocar ao menos cinco sessões extraordinárias neste ano para a votação do Orçamento do município para 2015. Com isso, só após o dia 15 eles deverão conseguir sair de férias. O clima de disputa em torno da presidência da Câmara e o impasse entre base e oposição para a análise de projetos de autoria do prefeito Marcio Lacerda (PSB) são os motivos para a recorrente falta de quórum nas reuniões.

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