Custo de mudanças do clima será de US$ 500 bi por ano

Estudo divulgado pela ONU estima montante a ser gasto com efeitos do aquecimento global

iG Minas Gerais |

Mobilização. Representantes de 195 países mais a União Europeia estão reunidos em Lima, no Peru
V. Vasquez/COP20
Mobilização. Representantes de 195 países mais a União Europeia estão reunidos em Lima, no Peru

LIMA, PERU. Os países em desenvolvimento poderão necessitar de até US$ 500 bilhões ao ano em 2050 para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, segundo um estudo das Nações Unidas divulgado nesta sexta. Os custos de adaptação que deverão ser assumidos pelos países são muito mais elevados do que o calculado anteriormente, segundo informe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado em Lima, durante a conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP20). Segundo as novas estimativas contidas no informe, segundo o qual os cálculos anteriores foram subestimados, “os custos de adaptação podem aumentar para US$ 150 bilhões em 2025/2030 e entre US$ 250 bilhões e US$ 500 bilhões no ano 2050”, podendo haver “uma significativa falta de financiamento depois de 2020”. “Os impactos das mudanças climáticas começam a ser um fator nos orçamentos nacionais e locais”, declarou Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma em um comunicado. Esse estudo destaca a importância de incluir planos de adaptação integrais no acordo sobre as mudanças climáticas que a ONU tenta alcançar, afirmou Steiner. “As crescentes implicações de custos para comunidades, cidades, negócios, pagadores de impostos e orçamentos nacionais exigem uma atenção maior à medida que se traduzem em consequências econômicas reais”, acrescentou. De acordo com o relatório, entre 2012 e 2013, o volume de financiamento público global comprometido na adaptação variou de US$ 23 bilhões a US$ 26 bilhões – 90% foram para países em desenvolvimento. O altíssimo custo que os países terão que pagar para fazer frente aos efeitos do clima aumentará mesmo se a ONU alcançar o objetivo de reduzir as emissões de carbono ao nível exigido para que a temperatura da Terra não suba mais de 2º C neste século, advertiu o informe. Este primeiro relatório do Pnuma foi apresentado paralelamente à conferência COP20 da ONU sobre o clima, em Lima, e serve para medir de que forma o mundo fará frente aos maiores custos futuros. Vulneráveis. O apoio à adaptação é uma peça chave das negociações que as Nações Unidas auspiciam em Lima para delinear os termos gerais de um novo pacto mundial para conter o aquecimento global. Os países pobres mais vulneráveis aos impactos das mudanças no clima – como eventos climáticos extremos, inundações, secas e elevação do nível do mar – exigem que um compromisso dos ricos com a adaptação e a ajuda financeira seja contemplado no texto. Mas muitos países industrializados insistem em que o acordo, que deverá ser assinado em dezembro de 2015, em Paris, com entrada em vigor em 2020, deveria se concentrar na mitigação, ou seja, nos esforços para conter as emissões de gases de efeito estufa.

Carbono Atenção. Territórios indígenas e áreas protegidas detêm 55% das reservas de carbono da Amazônia e exigem maior proteção dos governos por sua influência na estabilidade do clima mundial, revelou um estudo de organizações ambientais.

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