Alice no país da Maracangalha

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Reconhecida: Alice Caymmi levou troféus nos prêmios ‘Veja Rio’ e Multishow
Daryan Dornelles/Divulgação
Reconhecida: Alice Caymmi levou troféus nos prêmios ‘Veja Rio’ e Multishow

O show começa quando Alice Caymmi, 24, canta, a capela, “quando se for esse fim de som, doida canção, que não fui eu que fiz” – início de “Sargaço Mar”, que seu avô Dorival Caymmi (1914-2008) fez. Em seguida, ela passa o microfone a seu pai, Danilo, que emenda “Fiz uma Viagem” ao fim de “Acalanto”, canção que dá nome à apresentação que ocupa o CCBB no próximo sábado (13) e domingo (14).

  A dupla encerra a série de homenagens ao centenário de Dorival, evento que reuniu anteriormente Teresa Cristina & João Cavalcanti e Jussara Silveira & Moreno Veloso. Camila Costa & Bem Gil fazem, neste sábado (6) e domingo (7), “Quem Vem Pra Beira do Mar”.   No decorrer de “Acalanto” Alice e Danilo seguem se alternando, ora juntos, ora separados, por canções do repertório de Dorival até finalizar com “Samba da Minha Terra”. Danilo pega algumas vezes na flauta e Alice faz da voz seu instrumento, assim como fez em “Dorivália”, no qual cantou as músicas de seu avô em ritmo de axé. O show foi o pontapé inicial das comemorações do centenário e causou controvérsias na família. Dori, tio de Alice, torceu o nariz para os arranjos ousados.    Rainha de si   Sorte que Alice nem liga e fez tudo do jeito que quis. Seu pai, que na ocasião só fez participação especial, é quem comanda dessa vez. “‘Dorivália’ foi só meu, do meu jeito maluco. Com meu pai é muito mais no ritmo dele, na levada dele. Gosto do meu pai como ele é, são as músicas do pai dele – eu não posso simplesmente chegar mudando tudo. Eu entro pra acrescentar”, conta Alice, revelando que os arranjos são, em sua maioria, originais e que passam por “várias fases do vovô”.    “É um show de cantor”, afirma ela, dona de timbre grave e interpretação forte que lhe renderam os prêmios de cantora destaque pela revista “Veja Rio” e de melhor versão do ano pela gravação que fez de “Homem”, música de Caetano Veloso.    Gravada em seu segundo disco, “Rainha dos Raios” – que saiu em setembro – a nova roupagem de “Homem” ganhará clipe em breve. “Essa canção me despertou muita curiosidade desde o início. É uma discussão de gênero – o que é feminino?, o que é masculino?. O clipe traz essa abordagem questionadora”, adianta a artista, que prefere se manter rainha de si a definir seus limites.    “Meus discos são realmente diferentes um do outro, mas não sei como é, não me considero nem mais cantora nem mais compositora. Sou as duas coisas e elas não se separam. Até porque quando você interpreta uma música, você compõe em cima dela com aqueles toques novos que cada pessoa dá”, explica ela, que não sente a herança nem como responsabilidade nem como facilitadora de processos. Mais do que talento no sangue, ela possui em comum com o avô a vontade de seguir sendo autêntica e completa, “como uma artista que faz de tudo”, define.    Além de várias paradas de sucesso, Alice deve invadir, em 2015, as telas de cinema do país. Duas apresentações de “Rainha dos Raios” no emblemático palco do Teatro Itália (São Paulo) serão gravadas nos dias 11 e 12 para dar origem a um documentário-show.   Caymmi, Quando se Canta Todo Mundo Bole Show “Acalanto”, com Alice Caymmi e Danilo Caymmi CCBB BH (praça da Liberdade, 450, Funcionários, 3431-9400). Sábado (13) e domingo (14), às 19h. R$ 10 (inteira).

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