Entre a mente e o coração

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Sepultura apresenta em Belo Horizonte o novo disco e composições clássicas da carreira
Marcos Hermes
Sepultura apresenta em Belo Horizonte o novo disco e composições clássicas da carreira

Com muito peso, velocidade e ferocidade, o último disco do Sepultura vem dizer que o guia de tudo deve ser o coração. Pode soar estranho para uma banda de metal extremo, mas é essa a mensagem presente no lançamento que eles vão apresentar em Belo Horizonte na próxima sexta (12).

Primeiro álbum gravado com o baterista Eloy Casagrande, “The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart”, em tradução literal algo como “o mediador entre mente e mãos deve ser o coração”, é uma crítica à robotização e à falta de humanidade na sociedade atual.    O título (enorme) é uma referência ao filme “Metrópolis”, dirigido por Fritz Lang e que já em 1927 oferecia uma visão do século 21 nada animadora: um mundo extremamente mecanizado, frio e esfumaçado, com trabalhadores sendo explorados. Nada muito diferente do século 21 que o Sepultura encontrou no momento de composição. “A frase que dá nome ao disco representa tudo que vivemos hoje. É a sociedade robotizada que vai trabalhar e são poucas as pessoas que vão usufruir do Éden. Queremos chamar a atenção para a importância da parte humana, além de falar sobre política, meio ambiente, religião...”, comenta o guitarrista Andreas Kisser, para quem o coração também está presente na música. “Sepultura sempre foi uma banda honesta no sentido da arte, das composições. Fazemos coisas diferentes, mas continua sendo o mesmo heavy metal. Damos nosso coração, é o que nos mantém juntos”.    Há 30 anos, diga-se. O show que o Sepultura traz a BH integra as celebrações das três décadas de banda e eles vão aproveitar o tempo na capital para reviver lugares e experiências dos primórdios da carreira. “BH é a casa do Sepultura, onde a banda nasceu. Estamos preparando um documentário sobre os 30 anos e vamos fazer imagens nos butecos que frequentávamos, na loja de discos Cogumelo. A cidade tem que ser bem explorada no filme”, conta Kisser, um paulista assíduo frequentador das saideiras no Bolão e das partidas no Mineirão nos seus tempos de morador do Santa Tereza, entre 1987 e 1989. Hoje, sem os irmãos Igor e Max Cavalera na banda, praticamente toda erradicada em São Paulo, quem mais mantém contato com a cidade é o baixista Paulo Jr., mas, segundo o guitarrista, vir pra cá é sempre uma boa oportunidade de encontrar família e amigos.    Farpas Agora, por falar nos irmãos Cavalera, Kisser responde "não" sobre uma possível reunião com a formação original do Sepultura. Separados desde o disco “Roots” de 1996, quando Max, à época o vocalista e guitarrista, deixou a banda, eles vêm trocando farpas na mídia sobre o que é ou não o verdadeiro Sepultura e retomando impasses antigos, enquanto os fãs ficam querendo saber mesmo é se verá ao vivo a clássica formação de Chaos AD. “Focamos no que a gente está fazendo hoje. Os shows estão cheios, a agenda está lotada. Respeitamos o passado, mas estamos vivendo o presente e pensando no futuro”, esclarece.   E, num futuro próximo, além do lançamento do DVD dirigido por Otavio Juliano, previsto para o ano que vem, a banda já está confirmada para o palco Sunset da primeira edição do Rock in Rio nos Estados Unidos, que acontece em Las Vegas em maio de 2015.   Sepultura Music Hall (av. do Contorno, 3239 - Santa Efigênia). Dia 12 (sexta-feira) às 22h. R$ 100 (pista, inteira).

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