Bate debate 5/11/2014

iG Minas Gerais |

Coragem, PT!   Hamilton Reis Jornalista e membro do Diretório do PT   Aceitar cargos no governo Carlin Moura pode vir a ser o pior erro da história do Partido dos Trabalhadores de Contagem. Seria contrariar a opinião da maioria dos filiados e ferir letalmente a autoestima da aguerrida militância derrotada em 2012. Aquela não foi uma eleição qualquer. Aliados nos planos federal e estadual, irmãos até então no município, os dois partidos se comportaram como na história de Caim e Abel. Coube ao PCdoB – ressalvado que a baixaria e os ataques foram de parte a parte na guerra eleitoral – o lugar do vencedor, usando todas as artimanhas em nome do vale tudo para chegar ao comando da prefeitura.   Claro que há versões diferentes para essa história. Mas não é o que interessa aqui. Fato é que, com 20 legendas aliadas, os comunistas montaram o governo e definiram o que chamaram na época de novas prioridades, que estranhamente trouxeram de volta velhas práticas, dentre elas o assistencialismo. E como é natural, fizeram a partilha de cargos com aqueles que constituíram a ampla frente que o povo democraticamente elegeu. Após as eleições, ainda em dezembro, do seu lugar de derrotado, o PT, após muitas discussões internas, decidiu que teria uma posição de independência em relação ao novo governo, mesmo sem ter sido convidado a participar dele. Em lugar de um convite veio a cooptação. Alguns foram escolhidos e aceitaram trocar de lado. A eles foi solicitado que deixassem de ser petistas. Ao invés da suspensão proposta pela direção local do PT, quem aceitava o cargo oferecido pelo PCdoB tinha que se desfiliar.    O PCdoB trata o PT como um partido pequeno, na expectativa de que ele se apequene. Mas um partido que acaba de eleger Marília Campos deputada estadual mais votada da história da cidade que governou por dois mandatos, precisa mesmo de se contentar com as migalhas oferecidas? Não, não precisa. Um partido que tem 34 anos e acaba de eleger pela primeira vez o governo do Estado e pela quarta vez consecutiva a Presidência da República, precisa conhecer o seu lugar. E ter a tranquilidade e a decência de reconhecer que derrotas, mesmo as dolorosas como a de 2012, fazem parte da democracia. O povo não escolheu o PT para permanecer à frente da gestão pública em Contagem. E o PT não deve escolher voltar, de forma fragmentada, pela porta dos fundos, tentando burlar a vontade expressa pelo eleitor. Não cabe ao PT, nesta altura do campeonato, dividir a responsabilidade pelo sucesso da administração. Ou ajudar a pagar a conta do seu fracasso.   O papel do PT tem que ser ode ocupar o lugar de crítico de eventuais equívocos; de ficar ao lado dos movimentos sindical, social e popular; pensar o seu futuro; construir uma candidatura própria em 2016; resgatar o legado de Marília e por meio dele construir propostas de um programa de governo diferente deste que está em execução. O desafio colocado é reorganizar e fortalecer o PT em Contagem. O atalho que oferece o PCdoB é perigoso e pode conduzir o partido ao abismo. O que as urnas separaram não vai se juntar em um passe de mágica pelo desejo de poucos, nem pela imposição de força, se ela vier e tentarem ignorar a vontade da maioria. Em nome de sua coesão interna o momento pede ao PT de Contagem, cautela, sensatez, juízo. E coragem para dizer “não”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave