Aumento de decisões preocupa hospitais já sobrecarregados

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

A internação de usuários de drogas por via judicial é vista com preocupação por profissionais de saúde porque o aumento dessas medidas não veio acompanhado da ampliação de leitos como esperado. Conforme O TEMPO mostrou na edição de ontem, dos 644 leitos de saúde mental que seriam criados até o fim deste ano em Minas por meio do programa Crack, É Possível Vencer, apenas 181 foram abertos.  

“Em 2011, eu tinha 8% dos leitos ocupados com internação compulsória, hoje está entre 15% e 17%. Daqui a pouco serão 50%. Quem vou priorizar? O Judiciário em detrimento do paciente chegando com surto grave?”, questiona o assessor complementar de Saúde Mental da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Marco Túlio Pellegrini.

Só no Hospital Galba Veloso, na capital, especializado em saúde mental e que atende todo o Estado, há 612 ordens judiciais de internação que não foram cumpridas por falta de vagas de 2011 para cá. No Raul Soares, que tem a mesma característica, são 280 só neste ano. A Secretaria de Estado de Saúde, que faz a regulação dessas medidas judiciais, afirma que todas foram cumpridas na rede pública ou na privada – quando não há vaga na rede pública, o governo é obrigado a pagar um leito em hospital privado.

Estudo. Gestores de saúde pontuam ainda que o ideal para muitos pacientes compulsórios não seria a internação, mas sim outras medidas, como o tratamento de permanência/dia.

Para minimizar esses impactos, a Fhemig propôs à Justiça a criação de uma comissão técnica para, desde a ponta, padronizar critérios que devem ser preenchidos na hora de indicar uma internação para dependentes químicos e definir um fluxo mais “lógico” para o paciente na rede de saúde. O grupo também pretende estudar o perfil desses pacientes. 

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