Uma sincronia simplificada

Fernanda Takai e SILVA se apresentam hoje e amanhã, respectivamente, com participação de um no show do outro

iG Minas Gerais | Fábio Corrêa |

Infância. A admiração de SILVA por Fernanda começou aos 12 anos.
JORGE BISPO/DIVULGAÇÃO
Infância. A admiração de SILVA por Fernanda começou aos 12 anos.

Muito antes de Fernanda Takai tomar conhecimento da existência de SILVA, a cantora já povoava o universo musical afetivo do compositor capixaba. Aos 12 anos, em uma visita a Belo Horizonte, Lúcio Silva de Souza foi presenteado por amigos com um CD do Pato Fu. Alguns anos mais tarde, o então estudante de violino se deparou com “Onde Brilhem os Olhos Seus” (2007). Fazendo a memória afetiva do jovem regressar à adolescência, a estreia solo de Fernanda – recheada de releituras pop de standards do cancioneiro nacional – virou rapidamente um dos discos preferidos do futuro compositor. Pouco tempo depois, perdida em devaneios pelo YouTube, Fernanda se deparou com o clipe de “A Visita”, música de “Claridão”, primeiro álbum de SILVA – o nome artístico assim mesmo, em caixa alta. “Foi aí que eu descobri esse cara de Vitória, muito novo, que produzia e compunha”, conta. Ainda em 2012, SILVA e o irmão, o letrista Lucas, abordaram a cantora num aeroporto. “Coisa de fã, mesmo”, conta o compositor de 26 anos. Na conversa, Fernanda surpreendeu os irmãos ao revelar que já conhecia o trabalho do capixaba. Trocaram telefones, e dali nasceu uma amizade. O tempo passou – outra vez. Com a carreira decolando devido à boa aceitação de “Claridão”, SILVA retornou, em novembro de 2013, à capital mineira, para abrir o show da norte-americana Lana Del Rey. Após um almoço com Fernanda, convidou-a a gravar uma participação em “Okinawa”, faixa que estava compondo para “Vista para o Mar”, lançado em março de 2014 – e cuja demo ele carregava na mochila. A cantora topou, e a consolidação dessa amizade musical, movida pelo reconhecimento mútuo, é celebrada este fim de semana na capital mineira, onde tudo começou. Hoje, Fernanda Takai se apresenta no Sesc Palladium, em show do disco “Na Medida do Impossível” – seu quarto álbum solo, lançado em 2014 – e convida SILVA para uma participação. Amanhã, é a vez dele fechar a turnê de “Vista para o Mar” no Granfinos, e chamar Fernanda para cantar “Okinawa” e “mais alguma coisa que dê certo no show de sexta”. Simplicidade. “Totalmente”, enfatiza o capixaba ao responder se Fernanda influencia a sua forma de cantar. “Ela tem uma percepção que é tão simples”, avalia. “Qualquer pessoa que você peça para cantar vai querer fazer coisas de mais. A Fernanda, não: ela vai fazer coisas de menos. E isso é muito difícil.” À primeira vista, porém, a rotina de Fernanda Takai não parece ter nada de simples. Além do quarto disco solo deste ano, ela acaba de lançar com o Patu Fu “Não Pare pra Pensar”, primeiro álbum de inéditas da banda após sete anos. Some isso aos shows de “Música de Brinquedo” (disco do quarteto com releituras voltadas ao público infantil), ao premiado espetáculo “Aventuras de Alice”, com o Giramundo (no qual faz a voz de Alice), participações especiais em shows de João Donato e Roberto Menescal, e à carreira de escritora, com dois livros lançados. Além disso, ela tem de cuidar da filha Nina, 11, e da casa – com horta, jardim, dois cachorros e um gato – que divide com o marido, John Ulhoa. Por fim, ainda encontra tempo para se encontrar com a mãe e exercer o papel de cidadã, participando de reuniões da sociedade civil de Belo Horizonte. “Fernanda também é uma referência de relações humanas”, define SILVA. “O que eu tento fazer é cada vez mais estar envolvida com projetos que, independente do cansaço, sei que vão me deixar feliz”, conta a cantora de 43 anos. “Seja com pessoas com quem eu tenha afinidade ou com desafios que eu queira enfrentar.” Por desafio e afinidade, Fernanda se une, mais à noite, a Lulu Camargo (teclados), Lenis Rino (bateria), Larissa Horta (baixo), Tiago Borba (guitarra e violão) no palco do Palladium. Na banda, apenas Camargo participou de “Na Medida do Impossível” (com composições da cantora, parcerias e releituras de artistas de diversas gerações), base do repertório de hoje, “Toco praticamente o disco inteiro, com exceção de duas ou três musicas”, antecipa Fernanda, que diz buscar no palco uma reprodução fiel às versões do disco. Além delas, a cantora apresentará mais algumas “surpresinhas”. Entre elas, uma do Pato Fu, reservada para atender aos usuais pedidos dos fãs. Agenda O QUÊ. Fernanda Takai, “Na Medida do Impossível”. ONDE. Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro) QUANDO. Hoje, às 21h. QUANTO. R$ 60 e R$ 30 (meia-entrada)

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