Começou o diálogo da presidente com os diversos segmentos sociais

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Uma das principais propostas da recém-reeleita presidente do país, Dilma Rousseff, começou a se realizar: dialogar aberta e construtivamente com a sociedade e com os diferentes segmentos sociais. Foi assim que, no dia 26 de novembro, por quase duas horas, ela dialogou com representantes do grupo Emaús, composto por cerca de 40 pessoas e que já existe há 40 anos. Nascido como resistência à ditadura militar, o grupo reúne intelectuais e religiosos de várias partes do país para analisar as conjunturas política e eclesial e traçar ações concretas junto às bases para acelerar o resgate da democracia. O nosso sonho era e é grande: o de gestar um país que inclua no seu Orçamento aqueles que há 500 anos estão à margem. Dilma logo entendeu o significado de nossa presença. Não iríamos pedir nada, apenas reforçar sua determinação de seguir na construção do projeto originário do PT, o de criar uma sociedade com menos perversidade e que desse centralidade aos mais pobres e invisíveis, não obstante os constrangimentos da macroeconomia dominante. Entregamos-lhe um documento, “O Brasil que Queremos”, com 16 pontos que ressaltam a reforma do sistema político, a mudança para um modelo econômico mais social e popular, a promoção das reformas agrária e urbana, a defesa dos direitos dos povos indígenas e quilombolas etc. A conversa transcorreu de forma extremamente franca e jovial, reconhecendo-se acertos e equívocos. Ressaltamos especialmente a necessidade de a presidente retomar o diálogo com a sociedade, principalmente com os movimentos sociais organizados. Insistimos na retomada da educação política das bases, dentro da pedagogia de Paulo Freire, em especial dos jovens. Não adianta mostrar apenas obras. Há que se mostrar que elas obedecem a um projeto político do governo em benefício dos mais necessitados, como o Minha Casa, Minha Vida, o Luz para Todos e outras iniciativas. Esse vínculo de causalidade torna consciente a população e reforça o projeto popular, que precisa ser fortalecido para superar a nossa abissal desigualdade social. Salientamos a importância de reforçar e ampliar iniciativas de cunho social e ambiental, como o projeto Cultivando Água Boa, implementado pela hidrelétrica de Itaipu, que, mediante uma sistemática educação ecológica, recuperou rios, introduziu a agricultura orgânica, integrou povos indígenas e quilombolas e promoveu outros tantos benefícios, melhorando a vida das populações e da comunidade de vida. A presidente se mostrou entusiasmada pelo projeto, que já tem mais de 11 anos, e pelas pessoas que o levam adiante. Ponto importante foi a educação política dos jovens, para que não sejam meros consumidores, mas cidadãos críticos e participantes. É um desafio para os grupos das igrejas que se inserem nos meios populares e para o próprio PT, que deve retomar uma ligação orgânica e dialogar e aprender com eles. A presidente se mostrou especialmente sensível à questão dos direitos humanos e aos Centros de Referência dos Direitos Humanos, na perspectiva de fortalecer iniciativas comprovadamente sérias que estão acontecendo em todo o país. A questão ecológica foi considerada tão importante e complexa que merecerá outro encontro específico. Nada pedimos. Não nos moveram interesses corporativos ou pessoais. Apenas oferecemos nossos préstimos, caso sejam solicitados pela presidente. Ela se mostrou comovida e aberta a outros encontros mais sistemáticos, pois se deu conta de nossa vontade de colaboração na construção de uma sociedade mais humana, mais justa e cooperativa.

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