Um ano para ninguém botar defeito

SILVA encerra turnê de “Vista pro Mar”, segundo disco de sua carreira, em único show amanhã no Granfinos

iG Minas Gerais | Fábio Corrêa |

Caseiro. SILVA gravou grande parte do último álbum no estúdio montado na casa dos pais.
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Caseiro. SILVA gravou grande parte do último álbum no estúdio montado na casa dos pais.

A realização de vários sonhos. Assim SILVA define o ano prestes a terminar, que marcou o lançamento do aclamado “Vista pro Mar”, segundo álbum do capixaba de 26 anos. Amanhã, no Granfinos, o compositor fecha a turnê do disco, que dá continuidade à mistura de timbres eletrônicas com pop. Experimentação que vem sendo explorada pelo artista desde 2011, com o lançamento do EP homônimo que precedeu “Claridão”, de 2012, seu álbum de estreia.

Mês passado, SILVA esteve em Tóquio participando do Red Bull Academy, que reúne, anualmente, 60 participantes, entre músicos, produtores e afins, em palestras e workshops dedicadas à vanguarda da música. Depois, SILVA aproveitou para visitar Angola, onde gravou o clipe de “Volta” e produziu um minidocumentário inspirado na dança e música locais. “Gosto muito da cultura de gueto de lá e da forma com que os angolanos dançam, principalmente o Kuduro”, justifica.

As incursões internacionais ainda incluíram uma apresentação no palco Vodafone do Rock in Rio Lisboa 2014, em maio. “Tinha pessoas cantando as minhas músicas, o que me deixou bem assustado”, admite.

Apesar das palavras humildes, não parece que SILVA se intimide com facilidade. Acostumado a produzir e compor no seu estúdio caseiro, na capital capixaba, o capixaba refutou tentativas da gravadora que o quer no Rio de Janeiro e as sugestões dos amigos para mudar para São Paulo. Afinal, as coisas vêm acontecendo, “mesmo em Vitória”. “A internet rompeu muito essas barreiras de tempo e lugar”, analisa. “E eu estou bem feliz aqui em Vitória.”

Foi na casa em que mora com a família que SILVA gravou grande parte de “Vista pro Mar”. Para lá, ele pretende voltar já em janeiro, depois de tirar férias no fim do ano, e iniciar o processo de composição para um novo álbum. Além dos pais de “cabeça muito aberta”, que o influenciaram na carreira de músico, ele também divide o lar com o irmão Lucas, 31, letrista das suas músicas.

Hoje compositor “popular”, o capixaba ingressou na música aos 5 anos, quando começou a ter aulas de violino, instrumento pelo qual se formou na faculdade de música. Depois, vieram o piano, o baixo e a guitarra.

Amanhã à noite, o multi-instrumentista se apresenta com Hugo Coutinho (baterista) e Rodolfo Simor (baixo, guitarra, sintetizadores e voz) – ambos também egressos da música erudita.parceria.

Com pouco mais de uma hora, o show terá músicas dos últimos dois álbuns, além de uma participação de Fernanda Takai, que cantou na faixa “Okinawa”, do último álbum. Hoje, SILVA faz o inverso como convidado do show da cantora, no Sesc Palladium.

Fã de Fernanda Takai na adolescência, o capixaba impressionou a vocalista do Pato Fu com sua autenticidade para criar canções. “No Brasil, não vejo ninguém fazendo um som eletrônico como o dele, com qualidade de letra, vocal e musical”, analisa Fernanda. “São canções que têm uma espinha dorsal e podem receber diversos arranjos.”

Os flertes com mineiros não param por aí. Para um tributo que sairá em 2015, SILVA prepara uma versão de “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo”, de Lô Borges e Milton Nascimento. E a admiração pelo Estado não fica restrita às influências musicais. “Do Brasil, é um dos lugares onde eu mais me relaciono bem com as pessoas.”, conclui.

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