Diferenças ainda são extremas no município

Enquanto o centro e partes dos bairros Alterosas e Espírito Santo têm o melhor IDHM, região do Citrolândia apresentou o menor índice

iG Minas Gerais | José Augusto Alves |

Moradores da região do Citrolândia ainda sofrem com ruas sem asfalto, o que prejudica a qualidade de vida
Alex Douglas
Moradores da região do Citrolândia ainda sofrem com ruas sem asfalto, o que prejudica a qualidade de vida

A divulgação do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) constatou também as diferenças entre as regiões de Betim. Apesar de ser a segunda cidade mais rica do Estado, o município ainda apresenta discrepâncias nas diferentes regiões pesquisadas. Enquanto algumas áreas têm infraestrutura e acesso a serviços públicos de melhor qualidade, outras, principalmente na periferia da cidade, convivem ainda com a urgente necessidade de investimentos do poder públicos para melhorar a qualidade de vida da população.

O centro e algumas partes do Alterosas e do Espírito Santo apresentaram o melhor resultado, com IDHM de 0,880. Nestas áreas, foram constatadas as melhores condições de vida das pessoas na cidade, como a longevidade (0,896), a renda (0,921) e a educação (0,825).

Já a região que apresentou o menor IDHM da cidade fica no Citrolândia, nos bairros Vila Nova e Santa Isabel.O índice constatado foi 0,641, considerado médio na escala de 0 a 1. O número foi resultado das menores taxas de longevidade (0,619), renda (0,740) e educação (0,575).

Para se ter uma ideia da discrepância de resultados, a renda per capita da região Central apurada na pesquisa foi de R$ 2.113,42, enquanto na região com menor IDHM foi de apenas R$ 346,43, uma diferença de 83%. Este número é quase a metade da média do município (R$ 660,56).

Outra diferença visível é em relação à longevidade. Enquanto na área que lidera o IDHM na cidade a expectativa de vida dos moradores bate nos 80,3 anos, na região do Citrolândia, esse índice é de 69,4 anos. “Dentro de uma cidade, as diferenças são enorme. Por isso é importante que se realizem políticas públicas para diminuir esses extremos”, disse o pesquisador Fernando Prates, da Fundação João Pinheiro.

A aposentada Iara Amaral mora no centro há mais de 30 anos. Segundo ela, a área é privilegiada. “Aqui se tem de tudo: comércio, bancos, infraestrutura, por exemplo. Mesmo assim, acho que poderia ser melhor, como no trânsito, que é caótico”, disse.

Já a funcionária pública Antônia do Carmo afirmou que quem mora no centro tende a ter mesmo mais qualidade de vida. “É o lugar que recebeu mais investimentos, por ser um das principais áreas da cidade, como para a geração de empregos. Mas, nem por isso, se devem esquecer os bairros da periferia”, salientou.

Apesar da melhora na última década, os moradores das regiões com menor IDHM cobram mais investimentos do poder público. “Ainda temos uma infraestrutura precária. Eu moro em uma rua sem asfalto, apesar de nossas reivindicações. Isso é ruim, pois traz muitos transtornos”, contou o encarregado de obras Jaime Pereira, morador da região do Citrolândia.

A doméstica Elisabeth Gonçalves mora no mesmo local. Ela tem uma filha e uma neta deficientes. “A minha filha já está com as mãos machucadas, porque tem que fazer muita força para andar aqui na rua, que não tem asfalto. O governo tinha que investir mais em locais onde a carência é maior”, disse. 

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