Casos de Aids aumentaram 11% em um ano em Betim

Segundo dados do (Sepadi), 61 pessoas foram infectadas pelo vírus da doença neste ano no município

iG Minas Gerais | José Augusto Alves |

Em menos de 20 minutos, sai o resultado do teste do HIV
João Lêus
Em menos de 20 minutos, sai o resultado do teste do HIV

O número de casos de pessoas infectadas com Aids em Betim aumentou 11% neste ano em relação a 2013. De acordo com os dados do Serviço de Prevenção e Assistência a Doenças Infecciosas (Sepadi) – o antigo Centro de Convivência Cazuza –, 61 casos de HIV foram registrados na cidade em 2014, contra 55 no ano passado. Entretanto, o levantamento não detalha em quais faixas etárias esses novos casos surgiram.

Apesar disso, segundo a gerente do Sepadi, Roberta Campos, grande parte das pessoas que procuraram o espaço é de jovens. “Temos ações voltadas para a conscientização dos jovens. Inclusive, grande parte das pessoas que fazem o teste rápido do HIV é de jovens. Há uma preocupação com eles, por causa do aumento do número de casos no Brasil”, disse.

Atualmente, 939 pessoas estão cadastradas em uso de antirretrovirais (coquetel de remédios usado no tratamento da doença), sendo que 850 fazem o uso regular deles. Só neste ano, 19 gestantes foram infectadas com o vírus. “Esses números são da microrregião de Betim, que engloba municípios vizinhos, já que pacientes vêm à cidade para se tratar”, disse Roberta.

Mesmo com mais informações sobre a doença, há uma preocupação no país inteiro. Isso porque, segundo o Ministério da Saúde, o número de casos de jovens de 14 a 25 anos infectados cresceu 53% no país inteiro: passou de 7,7 mil em 2006 para 11,8 mil em 2012. E o pior: um em cada cinco deles abandona o tratamento pela metade.

Outro dado preocupante é que, na média geral, a proporção de pessoas infectadas no país é de quatro para cada mil. Mas, no caso de jovens gays, esse número sobe para cem a cada mil, ou seja, 20 vezes mais. Em dez anos, houve um aumento de 68% no número de novos casos de jovens do sexo masculino com o vírus HIV. A principal explicação para esse aumento de casos entre jovens é o comportamento sexual deles. Muitos não têm tido a precaução de usar preservativo nas relações sexuais. “Os jovens de hoje não viveram aquela epidemia dos anos 80 em que as mortes por Aids eram comuns. Eles pensam que a doença não mata, por causa do tratamento, mas isso não pode acontecer. A Aids é gravíssima, não tem cura, e os medicamentos provocam efeitos colaterais terríveis”, afirmou Roberta.

“Outro dia, enquanto aguardava para uma palestra sobre a doença, um jovem disse que era melhor contrair a Aids a ter câncer, porque o câncer mata mais rápido. Só que, para quem tem o HIV, as chances de ter câncer são 70% maiores do que em pessoas sem o vírus. Eles não têm ideia do que é a Aids. Muitos jovens não se preocupam em se prevenir. E a prevenção se dá pelo uso da camisinha”.

Comportamento Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constatou que 33% dos rapazes e 38% das moças não usam o preservativo nas relações sexuais. “Quando a gente sai pra balada, a gente quer se divertir, beijar, arrumar alguém. Numa dessas vezes, eu não usei camisinha, porque nenhum de nós dois tínhamos preservativo”, conta a estudante M. F. R. M., de 22 anos. “Só depois é que preocupei com isso. Fiz o teste, mas, ainda bem, deu negativo. Acredito que aprendi a lição”, disse.

Já E. S., 24, não acreditava que pudesse estar entre os novos casos de infecção por HIV no país. Em 2012, entretanto, recebeu o diagnóstico. “A gente sempre pensa que pode confiar no parceiro, que nunca vai pegar. Fiz o exame por acaso, porque tinha passado muito mal e o médico me pediu que fizesse. Não suspeitava de jeito nenhum. A primeira sensação que tive foi de medo. Achei que ia morrer”, lembra. (com Agência Brasil)

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