Acerte na escolha do ponto comercial

iG Minas Gerais | Kênio Pereira |

Pelo fato de dirigir uma imobiliária há mais de três décadas, vejo que muitos inquilinos fazem a locação sem perceber que escolheram o ponto errado, pois não observaram características que são determinantes para o sucesso do negócio. Por falta de experiência deixam de analisar as regiões da cidade que têm maior potencial de consumo do produto que pretendem oferecer.    Há pontos que geram luvas, que consistem num valor a ser pago previamente ao locador para que se possa utilizar o imóvel, por ser mais fácil emplacar o negócio. São locais próximos às redes de varejo, pontos de ônibus e outros como os shoppings, onde há um grande fluxo de pessoas.   É fundamental entender que existem negócios de passagem e negócios de destino. O negócio de destino exige estacionamento e às vezes manobrista – como, por exemplo, um salão de beleza ou restaurante. Neste caso, o cliente se dispõe a passar um tempo maior no estabelecimento. Já o negócio de passagem visa captar o público já existente na região, como fast foods, onde quem entra são os consumidores que passam pela porta.    Muitos litígios nos negócios onde há franquia decorrem do fato de o lojista franqueado entender que foi mal orientado pelo franqueador na escolha do ponto. O fato é que uma franquia não elimina o risco.    COMO ESCOLHER UM PONTO COMERCIAL Cabe ao empresário compreender claramente qual é o conceito do seu negócio, a quem ele busca servir, qual o seu público alvo para o tipo de produto ou serviço está oferecendo. A quem interessa o seu produto, a faixa etária, o sexo e a capacidade de renda da sua clientela?    Estudos demonstram que 97% dos clientes não se deslocam mais de 3 km para adquirir um produto ou serviço. Deve-se analisar o fluxo em torno do local que pretende se instalar, pois se o ponto exigir longos deslocamentos do seu público poderá ter sérias dificuldades.   É interessante dar preferência para locais onde existam concentrações de possíveis clientes, que alguns denominam “nuvens”, que se enquadrem no perfil de público alvo.   ABRIR LOJA NA RUA OU NUM SHOPPING Cabe ao empreendedor avaliar em primeiro lugar o custo-benefício de um shopping, pois muitas vezes a loja na rua pode ser bem mais econômica, já que não tem o peso da quota de condomínio e do fundo de promoções, além do acréscimo de mão de obra para funcionar em horários além do normal.    É importante analisar vários locais, verificar as diversas alternativas, comparar custos com estacionamento, segurança, com reformas e buscar consultoria jurídica sobre as condições contratuais, antes de decidir.   Quanto mais pesquisar, maior será a margem de acerto. Em muitos casos, fazer a contagem do número de pessoas que passam pelo local ajuda a decidir. No caso do shopping não basta contabilizar apenas os passantes, mas deve-se levar em conta aqueles que estão com uma sacola nas mãos, pois este indicador significa quem tem poder de compra. É interessante verificar qual dia e em qual horário seu negócio gera maior movimento e comparar com outros pontos para concluir se vale a pena manter a loja ou trocá-la de lugar.    MUDAR DE PONTO O empreendedor deve buscar um ponto de acordo com o conceito do seu negócio. Grande parte dos empreendedores que mudam ou buscam adaptar seu negócio para determinado ponto acabam fracassando. O problema é que mudar o conceito significa não ter experiência nesta nova operação e assim surgem surpresas que geram prejuízos. Em geral, é mais vantajoso pagar por um ponto adequado ao negócio do que tentar adaptar este um local que não está dando certo.  

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