Cardozo nega uso de propina da Petrobras na campanha de Dilma

Ministro da justiça alega que depoimento de Augusto de Mendonça Neto deve ser lido em conjunto com delação premiada

iG Minas Gerais | Folhapress |

Politica- A candidata a presidancia pelo PT , Dilma Rousseff , chega a igreja do Rosario em Nova Lima MG, ao som de congado . Oficialmente , o encontro que comemora o Dia Nacional de Promocao da Igualdade Racial . Dilma estava acompanha do candidato ao governo e vice pelo partido , Fernando Pimentel e Antonio Andrade , e ao Senado , Josue Gomes . Foto: Alex de Jesus/O Tempo 13/09/2014
Alex de Jesus/O Tempo 13/09/2014
Politica- A candidata a presidancia pelo PT , Dilma Rousseff , chega a igreja do Rosario em Nova Lima MG, ao som de congado . Oficialmente , o encontro que comemora o Dia Nacional de Promocao da Igualdade Racial . Dilma estava acompanha do candidato ao governo e vice pelo partido , Fernando Pimentel e Antonio Andrade , e ao Senado , Josue Gomes . Foto: Alex de Jesus/O Tempo 13/09/2014

É "incorreto" afirmar que dinheiro do esquema de corrupção da Petrobras irrigou a campanha de 2010 da presidente Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira (4) o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Segundo depoimento de Augusto de Mendonça Neto, executivo da empreiteira Toyo Setal e delator da Operação Lava Jato, parte da propina paga para o ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato Duque eram "doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores". O dinheiro, cerca de R$ 4 milhões, foi para o Diretório Nacional do partido, disse o executivo.

Cardozo afirma que é preciso ler o depoimento de Mendonça Neto em conjunto com a delação premiada de Júlio Camargo, também da Toyo Setal. Camargo fala em doações para 11 partidos, dentre eles o PT e PSDB, mas nega que essas doações sejam relacionadas a propinas.

"Dá para permitir qualquer conclusão em relação ao PT e todos os partidos envolvidos? Às vezes você começa a deduzir situações, avançando além dos fatos e das investigações. Você não pode fazer afirmações que às vezes são feitas em relação a um partido ou em relação a todos", disse Cardozo.

De acordo com o ministro, é impossível, a esta altura, apontar qual candidatura teria se beneficiado do suposto uso de dinheiro provindo do esquema.

"Quando você fala em contribuições neste período, você não está falando especificamente das contas de uma campanha, você está falando de todas as campanhas de todos esses partidos."

O que está ocorrendo, afirma, é uma "leitura política" da investigação. "Há uma leitura política dos fatos que não condiz com aquilo que está dito. Cada um vai ser os fatos como lhe interessa. Por que é a presidencial e não os governadores? Onde é que está dito isso?", disse.

"Há uma tentativa de se politizar uma investigação. Eu não posso cair no jogo da tentativa de politizar. De onde se tira que isso é para a campanha da Dilma? É incorreto se tirar uma conclusão desse tipo. É mais do que pré-julgamento.

É uma tentativa de construção de uma tese muito além dos fatos que estão colocados."

Cardozo reafirmou frase dita por outros membros do governo --a de que a administração Dilma não está receosa dos resultados da Lava Jato e que investigará "doa a quem doer".

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