Analfabetismo cai, mas Minas ainda tem 1,2 mi de iletrados

Pesquisa expõe diferenças entre regiões Sul e metropolitana com relação a cidades mais ao norte do Estado

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Apesar de apresentar uma queda, Minas Gerais ainda tem 1,2 milhão de analfabetos. O dado, de 2013, representa 7,6% da população e demonstra melhora na comparação com 2009 – na época, 9,2% dos mineiros acima de 15 anos não sabiam ler nem escrever. A taxa expõe as desigualdades entre as regiões Sul e mais próximas da capital com relação às áreas mais pobres, ao norte, onde está a maior parte dos analfabetos do Estado.

Os números estão na Pesquisa por Amostra de Domicílios (PAD), edição de 2013, apresentada nesta quarta pela Fundação João Pinheiro (FJP). Na região dos vales do Jequitinhonha/Mucuri, 19,9% das pessoas não conseguem ler nem escrever um bilhete simples. Já no Sul do Estado, esse índice é de 5,3%, e na região metropolitana de Belo Horizonte, 4,4%, quatro vezes menor. A realização desse diagnóstico regionalizado para a elaboração de políticas públicas é justamente o objetivo da PAD. “A gente observa que a desigualdade regional vem se mantendo nos dados, com um desfavorecimento do grande Norte”, afirmou a coordenadora da pesquisa, Nícia Souza. Assim como no Estado como um todo, a queda no índice acontece de maneira tímida na região Norte. Nos últimos cinco anos, a redução em Minas foi de 1,6 ponto percentual. Nos vales, os percentuais foram de 21,5%, em 2009, para 20%, em 2011, e 19,9% dois anos depois. O analfabetismo mais ao norte é ainda maior se considerada apenas a população mais velha. Nas regiões do Jequitinhonha/Mucuri, Norte, Noroeste e Rio Doce, mais de 40% da população acima de 60 anos é analfabeta. O tempo médio de estudo dos alunos mineiros é de 7,2 anos. Um estudante que completa o ensino superior tem 16 anos de estudo. Mas, no Estado, 73,9% dos jovens entre 18 a 24 anos não estão na escola nem em universidades. Entre os que jovens de 15 a 17 anos, apenas 56,1% estão na série adequada. “A retenção nos anos finais do fundamental e no médio e a evasão escolar são dois dos grandes problemas do ensino. Ressalta-se que eles estão interligados, pois o aluno tende a se evadir após sucessivas repetências”, apontou a pesquisa. Estudo. Essa é a terceira edição do trabalho, feito a cada dois anos. Foram 18 mil domicílios e 428 cidades, em dez regiões. Para a presidente da FJP, Marilena Chaves, a regionalização do estudo é importante por causa das diferenças. Outro exemplo é a cobertura de planos de saúde. Enquanto no Jequitinhonha é de 7,6%, na região metropolitana é de 29,4%.

Concentração

Centro. As regiões mais dinâmicas concentram a população, como a metropolitana, com 31,8% dos habitantes. As regiões Noroeste, Central e Jequitinhonha têm menos gente: 1,9%, 4,1% e 4,3%, respectivamente.

Dados de segurança pública A edição de 2013 da pesquisa incluiu pela primeira vez a abordagem de temas referentes à segurança pública. Porém, os dados serão divulgados em abril de 2015. “A inserção desse tema na PAD foi fruto de uma longa negociação com os agentes de segurança”, afirmou a pesquisadora Karina Marinho. O objetivo é ter dados regionalizados sobre a percepção de segurança e a vitimização das populações, indo além dos boletins de ocorrência.

Mineiro tem média de 33,2 anos A idade média da população de Minas é de 33,2 anos, mesmo patamar de 2011. As regiões Central e Zona da Mata apresentam as mais altas “idades médias”: 35,8 anos. Já o Norte e Noroeste apresentam as menores médias: 30,9 e 32,1 anos, respectivamente. Em 2009, a população considerada inativa representava 55% dos adultos. Esse percentual caiu para 50,4% na pesquisa do ano passado.

Norte tem mais universitários A região do Jequitinhonha/Mucuri é a que apresenta a menor taxa de escolaridade do ensino superior. Apenas 10% da população de 18 a 24 anos frequenta uma faculdade. A região Norte é a que apresenta a maior taxa (16,2%). As regiões Sul e metropolitana, que ocupam a segunda e terceira posições, respectivamente, têm maior proporção de jovens cursando o pré-vestibular e pós-graduação na comparação com a Norte.

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