Sob suspeita, vereadores falam em “grampear comerciantes”

Candidatos à presidência da Câmara da capital estariam oferecendo dinheiro e cargos por votos

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Candidatos. 
Joel Moreira (de costas), Wellington Magalhães e Juninho Paim negam oferta de cargos
MOISES SILVA / O TEMPO
Candidatos. Joel Moreira (de costas), Wellington Magalhães e Juninho Paim negam oferta de cargos

O clima na Câmara de Belo Horizonte é de desconfiança. Nesta quarta, depois da notícia de que interlocutores dos pré-candidatos à presidência da Casa estariam oferecendo até R$ 200 mil em troca de votos, os vereadores desafiaram os colegas que repassaram a informação para a imprensa sob a condição de anonimato que revelassem seus nomes e os autores das propostas. A sugestão, nos corredores, é para “grampear os comerciantes”.  

Alguns vereadores afirmam que foram assediados por aliados dos candidatos Juninho Paim (PT) – da oposição –, Wellington Magalhães (PTN) – da base – e Joel Moreira Filho (PTC) – que ainda não colocou seu nome oficialmente, mas trabalha nos bastidores para ser uma terceira via.

Nesta quarta, ele adotou postura mais incisiva e deixou claro que pretende entrar na briga pela presidência. “Acho que sou muito capaz de presidir a Casa, não me furtarei se for consenso”.

Segundo os relatos de três vereadores, cargos no futuro governo estadual de Fernando Pimentel (PT) e ajudas entre R$ 100 mil e R$ 200 mil para reeleição em 2016 estariam sendo oferecidas em troca de apoios do lado de Paim e Joel. Já a chapa de Magalhães teria ofertado a mesma ajuda de custo, além de postos na prefeitura. Os três negam que tenham proposto ou autorizado que falassem por eles.

Na sessão desta quarta, vários vereadores demonstraram preocupação com a imagem da Casa e usaram o microfone para condenar a suposta comercialização de votos para a presidência da Casa. Gilson Reis (PCdoB) convocou Magalhães, Paim e Joel para negarem publicamente as suspeitas, “ou então é isso mesmo”.

“Estou indignado. Essa situação coloca a Câmara em uma lama. Não fui procurado por nenhum candidato. Não comungo com essa ideia. Vamos dar nome aos bois”, cobrou Reis.

Jorge Santos (PRB) também mostrou desconforto. “Apoio o Wellington não por R$ 200 mil, mas pelo caráter dele e pelo que construimos aqui. Me sinto ofendido”, disse.

Apesar de alguns colegas duvidarem das negociações, Magalhães confirmou no microfone que ouviu um parlamentar contar que foi procurado por representantes dos seus adversários. “Acho que o vereador assediado deveria vir aqui e falar”, cobrou. Segundo ele, sua candidatura é “sólida e não usa destes artifícios”.

“Cadê esse vereador que recebeu proposta?”, indagou Joel. Paim disse ser vítima de uma calúnia. “Ninguém nessa Casa merece essa atitude. Não vou construir candidatura com factoides”, afirmou o petista.

Disputa

Aberta. A eleição para a presidência é no dia 12. A votação é aberta. Magalhães, recentemente, fez um jantar para 22 vereadores. Se ninguém conseguir maioria, terá segundo turno.

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