Violência atinge 75% das brasileiras

Entre os homens entrevistados, 66% afirmam que já praticaram violência contra a parceira

iG Minas Gerais |

São Paulo. Os números são assustadores: três em cada quatro mulheres jovens (75%) já sofreram algum tipo de assédio ou foram agredidas por companheiros no Brasil. Entre os homens, 66% afirmam que praticaram violência contra a parceira. Esses e outros dados fazem parte de uma pesquisa do Instituto Data Popular e foram divulgados nesta quarta.

O levantamento mostra também que o índice elevado de jovens que já foram atores ou vítimas de agressões tem relação com a família. A maioria (43%) já presenciou casos de violência entre os pais. O estudo foi realizado em duas fases. Na primeira delas, os jovens se manifestaram espontaneamente sobre casos de violência, assédio e ameaça nos relacionamentos. Nessa etapa, o percentual de entrevistados que admitiu que praticaram ou foram alvo desse tipo de ação foi de 4% dos homens e 8% das mulheres. A explicação, conforme os pesquisadores, é que os jovens associam violência contra a mulher apenas à agressão física. “A diferença das porcentagens está no conceito de violência. Muitos não consideram ser empurrada como uma agressão e isso se tornou natural. É uma falta de compreensão do que é o machismo e como isso pode interferir nas relações”, explicou Renato Meirelles, presidente do Data Popular. Na segunda etapa os entrevistados foram apresentados aos tipos de violência e o número de infrações aumentou. Invasão de privacidade, xingamento, controle da relação, humilhação e agressão física são as ações mais comuns enfrentadas pelas mulheres. Perfil. O estudo mostra ainda o que os jovens brasileiros acham sobre o machismo. Para 96% deles, esse tipo de comportamento está presente na sociedade brasileira. Por outro lado, a maioria se mostra a favor dos valores machistas. Para os jovens, a menina deve ter a primeira relação sexual em namoro sério – 53% dos homens e 49% das mulheres têm essa visão. Além disso, 43% dos homens e 34% das mulheres acreditam que a garota que tem relações sexuais com vários homens não é para namorar. Para a pesquisa foram entrevistados 2.046 mulheres e homens, entre 16 e 24 anos, das cinco regiões do país.

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