Terrenos da UFMG podem virar estacionamentos

Prefeitura negocia com universidade para criar mil vagas em dias de jogos

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Até churrasco. 

Moradores reclamam que torcedores tiram sossego da região
DENILTON DIAS / O TEMPO
Até churrasco. Moradores reclamam que torcedores tiram sossego da região

A Prefeitura de Belo Horizonte quer utilizar parte do estacionamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para aumentar a oferta de vagas aos torcedores que vão aos jogos no Mineirão. Essa é uma das medidas em estudo para amenizar os problemas vividos pelos moradores dos bairros São Luiz e São José, que reclamam da permanência de torcedores que estacionam nas ruas estreitas da região, fazem churrasco nas calçadas, deixam lixo e urinam na porta de suas casas. A medida ajudaria também os próprios torcedores, que reclamam da falta de vagas. A situação foi discutida nesta quarta, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

As áreas que podem ser usadas são um estacionamento próximo à Faculdade de Farmácia, no campus Pampulha, e o terreno anexo ao Centro Esportivo Universitário (CEU), na avenida Coronel Oscar Paschoal. Se a parceria for mesmo firmada, a previsão é que sejam criadas mil vagas. Enquanto negocia com a UFMG, a prefeitura já definiu outra medida: a partir do ano que vem ficará proibido o estacionamento em um dos lados das ruas estreitas dos bairros São José e São Luís. Hoje, é permitido estacionar nos dois lados das ruas, o que tem dificultado a saída dos moradores de suas garagens e até impedido que os reboques da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) façam a remoção dos carros parados de forma irregular. A medida reduziria de 700 para 525 o número de vagas nessa área. Isso seria compensado com o aumento do estacionamento nas avenidas mais largas do bairro, que passariam a contar com vagas em 45 graus. Descontentes. As medidas anunciadas não animaram os moradores dos bairros no entorno do Mineirão. Para a diretora da Associação de Moradores dos Bairros São José e São Luiz (Pró-Civitas), Dulcina Figueiredo, a solução é tornar a esplanada do Mineirão atrativa para o torcedor, para que ele não precise ocupar as ruas próximas ao estádio. “Moro aqui há 30 anos. Na época do Mineirão antigo, nunca tivemos problemas. Os torcedores ficavam nos arredores do estádio e não havia aglomerações no bairro. Hoje, as pessoas chegam até oito horas antes do jogo e acampam nas nossas portas, enquanto a esplanada do Mineirão está fechada”, reclama. A melhor utilização da esplanada é defendida também pelo secretário municipal de Serviços Urbanos, Pier Senesi. Porém, ele pondera que o local está sob responsabilidade da Minas Arena e não compete ao poder público definir sua utilização. “Eu, pessoalmente, concordo que o melhor aproveitamento da esplanada seria uma forma de solucionar o problema. Mas, como representante do poder público, eu tenho que tomar as medidas fora do estádio para amenizar a situação”, disse. Já o assessor de inteligência empresarial da Minas Arena, Ricardo Henriques, argumentou que o consórcio cumpre o que determina o contrato, mas que está aberto a sugestões para melhorar o atendimento ao torcedor.

Barracas terão novo formato Até o fim do ano, a Prefeitura de Belo Horizonte deve lançar licitação para viabilizar o retorno dos barraqueiros ao Mineirão, mas do lado de fora da esplanada. A ideia é determinar seis locais nas avenidas no entorno do estádio para a atuação dos barraqueiros registrados, em 96 barracas. “Queremos atrair o torcedor para essas áreas, onde vai haver venda de bebidas e comidas. Também vamos focar a ação contra ambulantes irregulares”, afirmou o secretário municipal de Serviços Urbanos, Pier Giorgio Senesi. Morador da região, o professor aposentado Hildegildo Lopes, 75, salienta que o principal problema não são os ambulantes. “A gente sofre é com o torcedor que traz a própria cerveja e faz baderna”.

Sem resposta UFMG. Procurada pela reportagem, a universidade não confirmou se já houve um pedido oficial da Prefeitura de Belo Horizonte para utilizar parte do estacionamento do campus Pampulha.

Mais medidas Vagas. No antigo Mineirão havia 4.700 vagas de estacionamento. Com a reforma do estádio, esse número caiu para 2.500. Os moradores reclamam que um dos motivos para os problemas vividos é essa oferta menor de vagas do local. “No Mineirão antigo, somente em jogos com mais de 80 mil pessoas é que havia carros estacionados na minha rua. Hoje, qualquer jogo lota a via”, conta a funcionária pública Taís Cunha, 57. Sinalização. A Minas Arena vai providenciar para o ano que vem um painel ao longo das avenidas que dão acesso ao Mineirão para informar a quantidade de vagas restantes dentro do estádio. Um problema que ocorre hoje nos jogos é que muitos torcedores enfrentam o congestionamento até a porta do estádio, mesmo quando não há mais vagas disponíveis. Vendas pela internet. Outra ação a ser adotada pela Minas Arena é a venda das vagas previamente, pela internet. Assim, o torcedor vai para o estádio com vaga garantida.

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