A boutade do ex-seminarista e o futuro do Brasil

iG Minas Gerais |

Indagou em “O Globo” dessa segunda-feira o jornalista Ricardo Noblat: “Quem disse a maior bobagem na última semana?”, e citou, entre outras personalidades importantes, o doutor Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, em contagem regressiva para outras aventuras políticas, ao comentar a escolha de Joaquim Levy para futuro ministro da Fazenda. Que tolice cometeu o ex-quase clérigo? Trovejou que fora Levy quem aderira à política econômica da doutora Dilma, e não esta que se rendera a um conjunto de postulados sensatos e racionais, sob pena de colocar em risco o cumprimento do próximo mandato. Assim tem sido governado este país infeliz, nos anos que se seguiram à gestão de Antonio Palocci na estratégica pasta da Fazenda. O que o reverendíssimo quase padre pareceu querer dizer foi que não se entendesse o provável ministro como integrante de um novo gabinete com ideias ortodoxas da Universidade de Chicago, por sinal recordista mundial do Prêmio Nobel de Economia, com 28 agraciados. Ao contrário, que se considerasse o PhD pela instituição norte-americana fora do conjunto de colegas da Unicamp, decerto não a famosa e respeitada, mas aquela outra parte heterodoxa, que acolhe uma seita que jamais conseguiu acertar com suas receitas mágicas aplicadas entre nós. Alfineta Noblat: “Dilma (...) semeou inflação e colheu juros, justamente a acusação que ela passou a campanha presidencial inteira fazendo aos tucanos”. Aliás, convém lembrar, só para ter uma ideia do caminho de pedras que Levy vai pisar, que as pegadas de “mestres” do passado com agregados mais recentes marcaram as peripécias do governo Sarney (Plano Cruzado) e a irresponsável aventura de Collor. Entretanto, nada aprenderam. Voltaram na segunda metade do governo Lula e no primeiro mandato da doutora Dilma. São persistentes na “destruição criadora”, que deixa a terra arrasada. Perigosos, sempre à sombra da intriga, do manifesto público repetitivo, do engodo, da constante pregação destinada invariavelmente ao fracasso. Pior ainda, nunca são chamados à responsabilidade. Infligem danos, causam prejuízos enormes ao povo e ao país, mas nunca foram responsabilizados. Incólumes e impunes, à espreita de oportunidades, agem em grupo com a retórica de sempre. Verdadeiros especialistas em desfazer construção penosa de fundamentos macroeconômicos, duramente recuperados, se lhes fica alguma porta entreaberta, estão prontos para recomeçar a demolição. Talvez os mais representativos deles sejam os presidente do BNDES e do Ipea, este derrotado na eleição para prefeito de Campinas. Sou cético. Restaura-se o equilíbrio, abre-se a temporada de demolição. Parece convocação do destino. O Brasil oferece, mais uma vez, espaço à reconstrução. Joaquim Levy reúne todos os requisitos para liderar o reerguimento da obra. Mas já vislumbro a conspiração do lulopetismo em andamento. Conhecemos-lhes os artefatos bélicos. Não me iludo.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave