Presépio do Pipiripau na tela

Lançado em DVD, documentário de Aluízio Salles Junior resgata parte da memória da construção de Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Animado. 
Com 586 figuras, o presépio reconta a história do nascimento até a morte de Jesus Cristo, em 45 cenas movimentadas
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
Animado. Com 586 figuras, o presépio reconta a história do nascimento até a morte de Jesus Cristo, em 45 cenas movimentadas

Desde o início do século passado, a chegada de dezembro trazia um tema natalino particularmente famoso entre as famílias belo-horizontinas: o presépio do Pipiripau. A obra, que começou a ser construída em 1906, está fechada desde 2012 para restauração, mas quem sente falta de visitá-la pode matar as saudades por meio do documentário “Pipiripau - O Mundo de Raimundo”, que acaba de ganhar uma versão em DVD.

Para o lançamento do título, o filme está de volta em cartaz no Cine 104 e também será exibido em sessões comentadas no Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas Gerais (MHNJB/UFMG).

Planejado desde o início dos anos 2000 pelo diretor Aluízio Salles Júnior, o longa foi lançado no ano passado e, em 2014, teve o projeto de distribuição alternativa contemplado no edital Filme em Minas.

O DVD será vendido no Cine 104, no MHNJB e livrarias Leitura – mas ainda não teve o preço definido. “Desde o início, pensei que a melhor forma de ‘capilarizar’ a distribuição era lançando DVD e colocando à venda no maior número possível de lugares na capital. Dificilmente esse longa teria alcance fora da cidade, ele foi feito essencialmente para o público belo-horizontino, que tem uma relação afetiva com o presépio”, diz o diretor.

O documentário põe a história do Pipiripau e de seu criador, Raimundo Machado, em paralelo com o desenvolvimento de Belo Horizonte. “A própria trajetória profissional de Seu Raimundo conta muito da construção da cidade”, afirma Aluízio.

Depois de passar pelo comércio incipiente da época, Raimundo trabalhou na Central do Brasil, na oficina das locomotivas que traziam mercadorias e pessoas à jovem capital. Em seguida, trabalhou nas oficinas Gravatás, como operário na construção de ícones arquitetônicos como o pirulito da praça Sete e as estátuas da praça da Estação. Nas horas vagas, criava peças para o presépio e seus mecanismos de movimento.

O roteiro do filme é baseado em um depoimento de Raimundo em que ele conta sua vida e a história do presépio durante seis horas de gravações, registradas em fita cassete pela pesquisadora Vera Alice Cardoso Silva. “Só o trabalho com esse áudio consumiu quase três anos de trabalho. Talvez esse seja o documento mais importante da história oral da cidade, porque mostra o nascimento e crescimento de Belo Horizonte a partir da perspectiva de um operário, alguém que não estava no poder”, declara Aluízio.

Revolucionário para a época, o presépio começou a ter movimentos por volta de 1912, a partir do mecanismo de um gramofone estragado. Primeiro, era movimentado a água, depois, a vapor e, finalmente, a energia elétrica. “Raimundo Machado foi genial, era o nosso Da Vinci mineiro”, exagera o cineasta.

A coleção começou em 1906, com um menino Jesus. A partir dele, Raimundo foi construindo, peça a peça, as cenas da Natividade, que ao longo das décadas evoluíram para uma narrativa completa da vida de Jesus.

“É interessante notar que Raimundo trouxe ao presépio cenas comuns que ele vivia em seu entorno, na periferia da cidade. Estão lá representados o sapateiro, o lenhador, músicos, que provavelmente foram baseados em seus vizinhos. Isso tem um valor antropológico muito forte. Os centuriões romanos são misturados com soldados de farda brasileira”, comenta o diretor.

Agenda

O quê. Exibição do documentário “Pipiripau - O Mundo de Raimundo”

Onde. Cine 104 (praça Ruy Barbosa, 104, centro) e Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG (rua Gustavo da Silveira, 1035, Santa Inês).

Quando. No Cine 104, hoje e dias, 5, 6, 7 e 10 de dezembro, às 20h40. No MHNJB, de 6 a 28 de dezembro, aos sábados e domingos, às 10h30 e 15h30,

Quanto. No Cine 104, R$ 10. Entrada franca no MHNJB

Para poucos

Fique atento. Mesmo com o presépio fechado para visitação, quem participar das sessões comentadas no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG vai poder participar, em pequenos grupos, de uma visita guiada para conhecer o processo de restauro das 586 peças da obra.

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