cross up! tem visual diferente e mesmas virtudes e defeitos

Versão “aventureira” do compacto da Volkswagen não traz qualquer modificação mecânica em relação à linha

iG Minas Gerais | Felipe Boutros |

Volkswagen cross up!
Alexandre Carneiro
Volkswagen cross up!

Embora ainda não tenha alcançado a expectativa de vendas da Volkswagen, o up! é um sucesso de crítica. O modelo trouxe para o segmento de entrada diversas inovações e, no Salão do Automóvel de SP, em novembro, ganhou uma nova versão, com apelo visual off-road, batizada de cross up!. Mas ao contrário dos outros “cross” da VW, o up! teve alterações mais discretas e meramente estéticas. Para-choques, molduras plásticas nos para-lamas e friso com o nome da versão gravado.

No mais, o cross up! é o mesmíssimo carro das outras configurações com as mesmas virtudes e defeitos. Seu motor é um 1.0 com apenas três cilindros e 12 válvulas, com comando de admissão variável e acionamento por corrente metálica (que dispensa a temida correia dentada), capaz de gerar 75/82 cv de potência a 6.250 rpm e 9,7/10,4 kgfm de torque a 3.000 rpm, com gasolina e etanol, na ordem. O sistema flex dispensa o tanquinho de partida a frio.

O carrinho mostra até desenvoltura em meio ao trânsito pesado e ao relevo acidentado de Belo Horizonte, sem exigir muitas reduções de marchas para deslanchar. Se em alguma situação, contudo, for preciso explorar o câmbio, tudo bem: os engates são macios e muito precisos, e o escalonamento é correto. O modelo também faz bonito quanto à estabilidade, transmitindo muita segurança em curvas e trajetos sinuosos. A contrapartida surge em vias malconservadas, onde a suspensão, com calibragem rígida, transmite parte das imperfeições do piso para o habitáculo. Os freios, igualmente eficientes, imobilizaram o hatch em espaços curtos e sem desvios de trajetória.

Conforto

O cross up! difere ligeiramente do up! nas dimensões externas. Ele é alguns centímetros maior devido aos apliques e tem 3,62 m de comprimento e 1,64 m de largura. A distância entre eixos é a mesma, de 2,42 m.

O segredo para o bom aproveitamento de espaço do up! está na posição elevada dos assentos internos. Sentados em um patamar ligeiramente superior ao de outros carros, os ocupantes precisam de menos espaço horizontal para as pernas. Essa configuração também proporciona mais visibilidade para o motorista, que, por sinal, conta com uma posição de dirigir ergonômica, com todos os comandos à mão. Nem tudo, porém, é perfeito: embora o banco e o volante contem com regulagem de altura, o segundo fica devendo o ajuste em profundidade. Outra falha é o tamanho diminuto do conta-giros no painel, que prejudica a leitura.

Preço alto é ponto negativo

Um dos fatores que podem explicar as vendas do Volkswagen up! abaixo das projeções iniciais é a política de preço praticada pela montadora alemã. O cross up! tem preço inicial de R$ 38.040 – R$ 40.960 com câmbio automatizado – e traz de série computador de bordo, trio elétrico (vidros apenas nas portas dianteira), retrovisores com pisca-alerta integrado, rodas de liga leve e direção com assistência elétrica, dentre outros. Mas falha grave é a ausência do ar-condicionado, oferecido como opcional por R$ 2.940, elevando o preço do compacto para salgados R$ 40.980.

Há ainda o Maps&More, sistema multimída, com navegador, informações do carro e som por R$ 1.200 – e o kit de preparação para o dispositivo por R$ 603 – que, na verdade, é até dispensável, pelos inconvenientes de ter que ser retirado toda vez que o carro é estacionado na rua e por suprimir a entrada USB. Com todos os opcionais e pintura metálica (especial Amarelo Saturno por R$ 1.642), como a unidade avaliada, o preço do cross up! com transmissão manual chega a R$ 45.380.

Hoje o principal concorrente do cross up! é o Fiat Uno Way, que também tem apelo aventureiro e custa a partir de R$ 31.960, mas que tem um projeto defasado em relação ao rival.

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