Estudantes em greve de fome pedem diálogo com governo de Hong Kong

Carta aberta foi endereçada ao chefe do Executivo, CY Leung, pelo líder do movimento Scholarism, Joshua Wong, e por outras duas estudantes que estão há mais de 40 horas em jejum

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Três estudantes em greve de fome em Hong Kong enviaram uma carta aberta ao líder do governo para pedir a retomada do diálogo sobre a reforma política, no dia em que os líderes do Occupy Central se entregaram à polícia.

A carta aberta foi endereçada ao chefe do Executivo, CY Leung, pelo líder do movimento Scholarism, Joshua Wong, e por outras duas estudantes que estão há mais de 40 horas em jejum.

Imagens transmitidas pela televisão mostram os três líderes do movimento Occupy Central entregando-se às autoridades, tal como tinham anunciado nessa terça-feira (2).

Os acadêmicos Benny Tai e Chan Kin-man e o reverendo batista Chu Yiu-ming entraram em uma delegacia de polícia, patrulhada nas imediações por cerca de 100 agentes.

Joshua Wong disse nesta quarta-feira (3), em entrevista coletiva, que mais jovens estão pensando em fazer greve de fome para pressionar o governo de Hong Kong a retomar o diálogo com os manifestantes sobre o sufrágio universal para as próximas eleições para chefe do Executivo, que ocorrerá em 2017.

"Não estamos dizendo que vamos fazer greve de fome até conseguir o sufrágio universal. Só (queremos) reiniciar o diálogo", disse o jovem líder estudantil, de 18 anos.

Tanto Wong quanto as duas jovens em greve de fome disseram que vão manter essa forma de protesto, apesar de já terem começado a dar sintomas de cansaço e vômitos. Ele disse que só vão beber água ou alguma solução de glicose em caso de recomendação dos médicos.

“Queremos que as pessoas saibam que a greve de fome que estamos fazendo é séria. Queremos atrair a atenção da população novamente para o movimento”, disse.

Os três cofundadores do Occupy Central – uma das organizações na origem dos protestos – entregaram-se às autoridades, depois de, nessa terça-feira, terem pedido aos estudantes para abandonar as ruas por motivo de segurança e para uma mudança de estratégia do movimento.

Apesar de o anúncio ter evidenciado a divisão entre o grupo de manifestantes, centenas de estudantes continuam acampados em Admiralty, o principal local de protestos.

Os protestos pró-democracia ocorrem há mais de dois meses em Hong Kong, mantendo-se atualmente dois acampamentos em Admiralty (sede do governo) e em Causeway (zona comercial).