Petrobras “encolhe” R$ 28 bilhões

Desconfiança quanto ao futuro da política econômica continua afetando o mercado financeiro

iG Minas Gerais |

Mau tempo. Até a produção da empresa pode ser afetada pelo escândalo, pois dificulta financiamento
Thelma Vidales
Mau tempo. Até a produção da empresa pode ser afetada pelo escândalo, pois dificulta financiamento

RIO DE JANEIRO. As ações da Petrobras encerraram no vermelho ontem, acumulando 15% de queda em sete pregões consecutivos e perdas de R$ 28 bilhões em valor de mercado. Com a companhia envolvida em um escândalo de corrupção sem precedentes em sua história e vítima de um cenário ruim para o preço do petróleo, seu papel preferencial (PN) atingiu sua menor cotação desde maio de 2005, valendo R$ 12,13.

A queda da petrolífera, dos bancos e da Vale fizeram com que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também fechasse no negativo, na contramão dos mercados internacionais, que subiram com rumores sobre novos estímulos econômicos na China e bons dados da economia norte-americana.

Pressionado pelas incertezas sobre a condução da política econômica e fiscal daqui para frente, o índice Ibovespa fechou em queda de 1,27%.

Em meio a um escândalo político e à crise do petróleo, a Petrobras teve um pregão muito instável, alternando entre os campos positivo e negativo. Por volta das 16h, as ações perderam força e encerraram no vermelho. Na avaliação de Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho, a queda não teve relação com a acareação entre os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró na CPI Mista do Congresso.

“Nada de novo foi revelado. O que mais pesou para puxar o mercado foi a desconfiança quanto ao que será decidido para o futuro da política econômica e o consenso de que o Banco Central vai apertar os juros amanhã (hoje), o que acaba tirando atratividade da Bolsa e migrando-a para a renda fixa”, acrescentou.

Investigação e incerteza. Os bancos também exerceram forte influência negativa. O Banco do Brasil recuou 3,07%, enquanto o Bradesco teve recuo de 1,76% (PN) e o Itaú Unibanco caiu 1,51%. “Está pesando uma informação publicada no jornal ‘Valor Econômico’ sobre investigação que o Banco Central está fazendo sobre a oferta de bônus de celular aos correntistas”, afirmou Raphael Figueredo, analista da corretora Clear.

Segundo Maurício Pedrosa, estrategista da Queluz Asset Management, também acredita que está alimentando a instabilidade do Ibovespa a incerteza sobre o futuro da condução econômica do governo: “A equipe econômica anunciada foi uma boa notícia, mas agora os investidores estão avaliando a realidade. Nada de concreto foi anunciado, e o que sobra são rumores sobre aumento de tributação”.

O projeto de tributação de dividendos foi proposto na Câmara pelos deputados Renato Simões e Ricardo Berzoini, ambos do PT-SP, em março. O texto aguarda parecer de relator na Comissão de Finanças e Tributação (CFT). Os boatos sobre esse projeto contribuíram para a forte queda da Bolsa na segunda-feira.

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