Voto para comando da Câmara valeria cargos e R$ 200 mil

Candidatos à presidência estariam trocando benefícios por apoio

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Apoio a Juninho (PT) seria “pago” com cargos no governo Pimentel
fotos: Mila Milowski/cmbh/divulgação
Apoio a Juninho (PT) seria “pago” com cargos no governo Pimentel

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte virou literalmente um balcão de negócios. Cada voto estaria sendo negociado por até R$ 200 mil. De um lado estariam as ofertas de PT e PMDB com o apoio de Léo Burguês e outras siglas da oposição. De outro, Wellington Magalhães (PTN), com siglas da base.

A reportagem conversou com vereadores que garantem ter recebido propostas das duas candidaturas para a eleição do dia 12. A oposição – que já colocou o nome de Juninho Paim (PT) – estaria oferecendo cargos no futuro governo do Estado de Fernando Pimentel (PT) com salários entre R$ 5.000 e R$ 10 mil e ajuda financeira e de estrutura para a reeleição dos vereadores em 2016.

“Quando se fala em ajuda, considera-se entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. O pessoal do Wellington ofereceu essa ajuda também”, disse um dos vereadores que dizem ter sido assediado.

Segundo esse parlamentar, que teria ouvido promessas também do lado da oposição, Magalhães teria menos poder de negociação. “O prefeito (Marcio Lacerda) não tem como prometer muita coisa. Ele é carta fora do baralho em 2016”, diz.

Dentro da oposição também estaria sendo colocada a candidatura de Joel Moreira Filho (PTC), que, segundo relatos, também peregrina de porta em porta com ofertas. Joel diz que tem trabalhado por um consenso e assume que seu nome pode ser colocado como uma terceira via, mas nega que tenha oferecido qualquer vantagem durante as conversas. “Quem pode oferecer alguma coisa é quem tem: o candidato do prefeito ou o do Estado. Não tem absolutamente nada disso”, disse.

Um outro vereador afirma que também escutou as mesmas propostas das três partes. De acordo com ele, os valores podem sofrer reajustes na próxima semana. “Tem colegas que já aceitaram. Outros estão esperando, pois se forem o fiel da balança, podem pedir até mais”, afirma, garantindo ter recusado os benefícios.

Em jogo estão a administração do orçamento da Casa – que, neste ano, foi de R$ 208 milhões –, a possibilidade de indicar cargos e o poder político. O atual presidente, Léo Burguês (PTdoB), estaria apoiando PT e PMDB com a garantia de ter uma cadeira de destaque na futura Mesa Diretora.

Um terceiro parlamentar diz que as negociações estão inseridas nas eleições de 2016. “PT e PMDB querem a presidência para emplacar o próximo prefeito. Assim, teriam Dilma (Rousseff), Pimentel e a prefeitura com a dobradinha, revela.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave