Comportamento pouco honesto nos bancos tem razões científicas

Estudo foi feito outra vez com profissionais diferentes, e resultado comprovou a tese

iG Minas Gerais | Douglas Quenquia |

Perfil duvidoso. Estudo comparou o comportamento dos bancários com os de outros profissionais nos EUA
Associated Press
Perfil duvidoso. Estudo comparou o comportamento dos bancários com os de outros profissionais nos EUA

Nova Iork, EUA. Alguns profissionais são menos honestos do que outros? Pesquisadores descobriram que é possível depositar sua confiança nos bancários. Devido ao crescente número de escândalos envolvendo bancos na última década, alguns críticos sugeriram que esse setor possui uma cultura de desonestidade. Três economistas da Universidade de Zurique agora colocaram essa ideia à prova.

Eles descobriram que esses profissionais são tão honestos quanto outros, mas somente até serem lembrados de que são bancários.

Um grupo de 128 funcionários de um grande banco internacional foi dividido em dois: um respondeu a perguntas relacionadas à sua profissão (ex: qual é sua profissão) e o outro a perguntas de assuntos gerais (ex: quanto de televisão você assiste?). Em seguida, os funcionários deveriam arremessar uma moeda dez vezes e relatar os resultados online.

Contudo, haveria benefícios caso mentissem: eles foram informados com antecedência de que obteriam uma recompensa de US$ 20 caso o arremesso resultasse em cara ou coroa – desde que a porcentagem de ganhos relatada fosse em geral maior que a de algum outro participante, escolhido de forma aleatória.

Honesto. O grupo que não respondeu sobre sua profissão foi bem mais honesto, relatando os arremessos ganhadores 51,6% das vezes. O outro grupo relatou esses arremessos 58,2%. Os pesquisadores calcularam que 26% dos bancários do último grupo trapaceou em comparação com quase nenhum do primeiro grupo.

Para confirmar essas descobertas, os pesquisadores realizaram o estudo novamente com pessoas de outras profissões. Elas não se tornaram desonestas quando questionadas sobre seu trabalho.

Publicadas na revista “Nature”, as descobertas sugerem que os bancários são desonestos apenas quando percebem que esse é o comportamento que se espera deles, afirmou Alain Cohn, que agora trabalha na Universidade de Chicago. Os bancos talvez devessem seguir o exemplo da medicina e exigir que uma variante do “Juramento de Hipócritas” seja usada.

“É muito importante permitir que os funcionários saibam quais são os comportamentos desejados e indesejados. Depois, poderemos usar o juramento profissional para colocar em prática essas normas”, afirmou Cohn em uma teleconferência.

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