O pragmatismo de Lula e a prudência de Joaquim Levy

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DUKE
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Joaquim Levy sempre surpreende positivamente. Quando estava nos Estados Unidos, duvidaram que ele aceitaria a “fria” de ser secretário da Fazenda do Rio de Janeiro, um Estado quebrado. Foi lá e fez um belíssimo trabalho. Agora, quando muitos achavam que ele não aceitaria sair da Bradesco Asset Management (Bram) para ser ministro da Fazenda, novamente surpreendeu. Usando uma figura de retórica do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, Levy resistiu ao fogo amigo e ao fogo inimigo. Mas aceitou o dever de enfrentar um sério desafio. Com isso mostrou, acima de tudo, confiança em si e patriotismo. Sem dúvida, dentro das atuais circunstâncias, a escolha de Joaquim Levy é a melhor possível. Erra quem imagina que ele se afirma como boa escalação por exclusão. É um excelente nome em qualquer circunstância, o melhor possível, como primeira opção, e não alguém para se sentar no banco de reservas. Politicamente, a presença de Levy no ministério também é positiva porque representa a vitória do pragmatismo de Lula sobre os demais segmentos do seu universo político, que prefeririam alguém mais afinado com o ideário heterodoxo. Significa, ainda, ter um ministro da Fazenda que conhece mais e melhor o funcionamento da máquina pública e, de quebra, a lógica da política. Levy conhece muito bem os meandros de Brasília. Ao mesmo tempo, tem experiência internacional, operou em organizações da linha de frente da engrenagem da globalização e domina a filosofia da terapia anticrise receitada por norte-americanos e europeus. Ele chega “chegando” e animando o mercado. No entanto, daqui para a frente, terá um perfil discreto e enfrentará muita pedreira: a gestão da herança fiscal do governo que se encerra, a esgrima com os aliados que preferiam outro nome menos “clássico” e os humores da presidente. Há quem o compare a Carvalho Pinto, ministro da Fazenda de João Goulart (1961-1964), que era conhecido como “market friendly” e foi tragado pelos acontecimentos. Fracassou, e seu fracasso terminou estimulando os antagonismos que resultaram no golpe militar de 1964. Carvalho Pinto não teve autonomia para gerir a economia nem conseguiu resistir aos aliados de Goulart, que o consideravam muito conservador. Quando tomou posse, diziam que a ele se aplicava o slogan da época do Mate Leão: “Já vem queimado”. A história, porém, se repete como farsa. Joaquim Levy não se prestará a ser ministro sem ter as condições para fazer o seu trabalho. Lula, por seu lado, sabe que o sucesso econômico é o caminho para 2018. Joaquim Levy e Nelson Barbosa sabem o que tem que ser feito e sabem que têm respaldo para tal. Serão medidas duras e que vão contrariar muitos interesses. Terão que ter sabedoria para escolher bem suas “vítimas”. Assim, existe uma coincidência de interesses a favor das boas decisões. Joaquim Levy luta pelo seu currículo e por suas convicções econômicas; Lula, pelo sucesso de que necessita para manter-se competitivo em 2018. Dilma não tinha alternativa, a não ser ceder o controle da economia. Fragilizada politicamente e com a tormenta do petrolão se agravando, limpar a agenda econômica e melhorar as expectativas era o único caminho a ser escolhido. Imaginem o que seria enfrentar os desdobramentos do petrolão com as expectativas negativas e os índices econômicos naufragando? Seria um pesadelo para o governo e, sobretudo, para os mais necessitados em nossa sociedade. 

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