Atriz Viola Davis abrilhanta série

Produzido por Shonda Rimes, programa deve estrear no Brasil em 2015

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Casos. Série gira em torno de um assassinato e casos semanais resolvidos por Annalise e sua equipe
Abc / divulgação
Casos. Série gira em torno de um assassinato e casos semanais resolvidos por Annalise e sua equipe

Enquanto o Canal Sony decide em qual data de 2015 vai estrear “How To Get Away with Murder” no Brasil, espectadores dos Estados Unidos (e todos aqueles que já fizeram download) conferiram nove episódios da primeira temporada da série criada por Pete Nowalk, protegido de Shonda Rimes, que assina a produção do programa.

Responsável pelos também megassucessos da emissora norte-americana ABC “Grey’s Anatomy” e “Scandal”, Shonda é mais que um nome na TV dos EUA, é um carimbo, um selo, daquele capaz de fazer um programa de televisão decolar mesmo tendo asas menores que o corpo. Num primeiro momento, talvez fosse esse o caso de “How to Get...”, mas no decorrer desta meia-temporada alguns elementos vêm alongando essas asas.

O primeiro deles chama-se Viola Davis, que interpreta a implacável e manipuladora advogada e professora Annalise Keating. Ela ministra uma aula sobre práticas de tribunal na universidade e escolhe cinco alunos do primeiro período como estagiários para assessorá-la em casos complexos logo no primeiro capítulo – é difícil engolir o fato de que neófitos estudantes de direito tenham tarimba para investigações de alto nível, mas em Shondaland, onde médicos discutem relação durante cirurgias (“Grey’s Anatomy”) e o presidente norte-americano republicano tem como chefe de gabinete um homossexual assumido (“Scandal”), isso é apenas detalhe.

O importante aqui é Davis que, com 49 anos de idade e duas indicações ao Oscar, leva à série maturidade e segurança cênica muito maior que a trama precisa ou exige. É impossível esquecer, por exemplo, da cena final do quarto capítulo em que ela senta em frente à sua penteadeira, retira sua peruca e começa a limpar sua maquiagem com um lenço, aplicando uma força que cresce gradualmente. Algo que tinha tudo para ser clichê e só não é por causa da atriz. Além disso, a cena é fundamental por elucidar a dubiedade da personagem: ela é também vulnerável, insegura e, por isso, mais próxima dos espectadores.

Mistério. Outro ponto a favor da série, o (agora sim clichê) mistério decorrente de um assassinato apresenta-se como um atrativo. No primeiro episódio, são exibidas pequenas partes de flashforwards – cenas futuras – dos alunos de Annalise histéricos por terem que encobrir traços de um crime e, daí em diante, novos fatos são revelados.

Ao contrário do que se possa pensar no primeiro momento, essas revelações tornam ainda mais nebuloso o caráter de cada um dos personagens. Assim, perguntas como “será ele o assassino?” e “ele gosta dele de verdade?” são apenas algumas das quais o espectador se fará inúmeras vezes sobre o mesmo personagem. Dessa forma, o roteirista brinca com a percepção de quem vê, mas sem muito requinte, apenas o suficiente para aguçar a curiosidade para o próximo episódio.

Por fim, mas não menos importante, temos as cenas de sexo gay que pipocaram durante esses episódios. Todas elas foram protagonizadas por Connor Walsh (Jack Falahee), estagiário que utiliza de seu charme e beleza para conseguir informações importantes para os casos da chefe.

Para alguns, as passagens podem ser desnecessárias – inclusive, uma mulher disse isso diretamente a Shonda, pelo Twitter –, mas é importante ressaltar que o programa é transmitido por um canal aberto nos Estados Unidos, um país com expressivo número de conservadores e de pessoas que não tem sua rotina convívio com o diferente.

Dessa forma, a inclusão de cenas mais picantes assume um papel progressista, mostrando a uma audiência que, independentemente da importância das cenas para o enredo, é normal dois homens se “pegarem” na TV tanto quanto um homem e uma mulher. Ou como a própria Shonda disse, ao responder ao tuíte provocador: “Não existe cenas gays. Existe cenas com pessoas nelas”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave