João Carlos Martins entre a regência e o piano hoje em BH

Maestro paulista rege a Bachiana Filarmônica SESI-SP, em apresentação no Cine Theatro Brasil.

iG Minas Gerais | Fábio Corrêa Especial Para o Tempo |

Maestro promete uma homenagem de São Paulo a Minas logo mais
Fernando Mucci / Divulgação
Maestro promete uma homenagem de São Paulo a Minas logo mais

Há dez anos, depois de passar por 19 cirurgias, o maestro João Carlos Martins, 74, foi comunicado pelo médico de que não poderia mais tocar piano nem com uma mão só. Sem se abater, aprendeu regência e se tornou maestro. Pouco tempo depois, os movimentos do braço foram interrompidos, outra vez, por uma doença degenerativa. Martins então se submeteu, em 2012, a uma experiência médica digna de ficção científica: a implantação de um eletrodo no cérebro, que possibilitou com que pudesse voltar às atividades. E como.

O passado ficou para trás. Hoje à noite, no Cine Theatro Brasil, à frente da Bachiana Filarmônica Sesi-SP, Martins rege a 4ª Sinfonia de Beethoven, além de peças dos compositores italianos Vivaldi, Puccini e Mascagni. Depois, com a resiliência que o transformou em um dos profissionais eruditos mais aclamados do planeta, o maestro senta ao piano e apresenta “Libertango”, do argentino Astor Piazzolla, e “Cinema Paradiso”, de Ennio Morricone, trilha sonora do filme homônimo lançado em 1988. Sem deixar de citar que sempre dá um jeito de encaixar “um Bach” no finalzinho.

“Acho que esse papo de superação já encheu”, reflete Martins. No lugar, o maestro prefere atribuir ao dever diário com a música a energia que o motiva a continuar na estrada a cada dia que passa.

“Cada vez mais você tem esperança no futuro quando você tem uma meta”, explica. E o objetivo da Bachiana Filarmônica é bem claro: levar a música erudita ao maior número de pessoas.

São shows em presídios, centros da fundação CASA (antiga Febem), periferias e cidades com menos de 10 mil habitantes, com o objetivo de democratizar a música clássica no Brasil.

O público “tradicional” da música clássica também não fica de fora. Com uma apresentação agendada para a Sala São Paulo, uma das mais renomadas casas do gênero, no dia 9, Martins espera repetir o sucesso de 29 de novembro, quando lotou os 1.500 assentos do local.

Para BH, o maestro guarda uma surpresa: “Será uma homenagem de São Paulo a Minas Gerais”, confidencia, sem revelar qual próximo coelho tirará da interminável cartola.

Agenda

O quê. Bachiana Filarmônica Sesi-SP

Onde. Cine Theatro Brasil Vallourec (praça Sete, centro)

Quando. Hoje, 21h

Quanto. De R$ 25 a R$ 50

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