Esperança na vida e no jogo

O grupo ZAP 18 estreia “O Gol Não Valeu!” hoje no Centro Cultural Banco Brasil, dentro do projeto Diálogos Cênicos

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Montagem. Em “O Gol Não Valeu!”, elenco apresenta a história de Riva, um garoto que torce para um time que está sempre na lanterna
GLADSTONE LOPES
Montagem. Em “O Gol Não Valeu!”, elenco apresenta a história de Riva, um garoto que torce para um time que está sempre na lanterna

Mesmo sem celebrar muitas vitórias, Riva não desiste de acompanhar a trajetória do seu time do coração. Centrada na história do garoto que torce por uma equipe que fica sempre na lanterna dos campeonatos, o espetáculo “O Gol Não Valeu!”, do grupo ZAP 18, apresenta o cotidiano do personagem e da sua família, com quem mantém relações tecidas em torno do gosto pelo futebol.

Integrada à programação do projeto Diálogos Cênicos, a peça estreia hoje no Centro Cultural Banco do Brasil, onde é encenada em duas sessões, às 15h e às 20h. Cida Falabella, diretora do trabalho, comenta que a criação marca um retorno da companhia às produções infantojuvenis.

“Essa proposta faz parte de um desejo antigo que nós temos de criar montagens com foco nesse público. Um pouco diferente dos processos anteriores, neste nós recebemos um texto de Francisco F. Rocha, que nos propôs fazer essa encenação. Geralmente, nós começamos a desenvolver um projeto a partir de um tema e a equipe vai discutindo junto com a presença do dramaturgo até chegarmos no espetáculo. Desta vez o caminho foi inverso”, resume Falabella.

Ao narrar o envolvimento do menino com uma equipe que raramente ganha uma partida, Falabella nota como o trabalho desloca o foco da esfera da competição para sublinhar a passagem do protagonista da infância para a vida adulta.

“O espetáculo lida especialmente com o crescimento desse menino que passa por diferentes momentos. Há a separação dos pais e outras dificuldades que o futebol acaba servindo como uma espécie de metáfora desse processo”, diz Falabella, que nota paralelos entre a trajetória de Riva e a situação daquele time.

“Há uma esperança para que as coisas deem certo. Eu acho que esse movimento e essa expectativa de que tudo melhore é algo comum entre a vida do garoto e a rotina do time que ele acompanha. Apesar dos obstáculos que os jogadores preferidos dele enfrentam, ele não decide vibrar por outros. Acho que isso é algo interessante. A fidelidade dele reflete um pouco dessa fé e dessa busca que conduz a sua experiência”, acrescenta.

Sobre a dinâmica do elenco, formado por cinco atores, Falabella explica que ela é guiada a partir do diálogo direto de Riva, ele mesmo narrador de suas memórias, com o público.

“É como se ele, 30 anos depois, revisitasse o passado e, assim, inicia um bate-papo em que recorda a sua infância. Ele compartilha as suas histórias que vão aparecendo em flashbacks. As coisas vão se desdobrando, como a convivência dele com o pai”, afirma a diretora.

De acordo com ela, a ligação e o convívio do garoto com o pai, que é cronista de futebol e o estimula a curtir o mundo futebolístico, norteia boa parte das cenas.

“Riva herda a paixão pelo futebol do pai, que é um comentarista esportivo que está em recuperação após sofrer um ataque cardíaco. É o garoto que o ajuda assistindo às partidas e depois passa as informações para ele, atuando como um mini-assessor”, detalha Falabella.

De hábitos mais solitários e com poucos amigos, Riva é retratado especialmente em seu convívio com a família, o que influencia no seu amadurecimento.

“Ele logo desenvolve um olhar mais crítico. A necessidade de cuidar do pai colabora também para que Riva tenha atitudes mais próximas das decisões dos adultos”, comenta.

Permeada por episódios trágicos e cômicos, a peça, ao seu ver, reúne elementos que transitam entre o humor e a poesia. “Há uma mistura de alegria e decepção, ou seja, tudo aquilo que está envolvido nesse processo de passagem”, conclui a diretora.

Agenda

O quê. Estreia de “O Gol Não Valeu!”

Quando. Hoje, às 15h e às 20h

Onde. Centro Cultural Branco do Brasil (praça da Liberdade)

Quanto. Entrada franca

Saiba mais

Além de estrear a peça hoje no Centro Cultural Banco do Brasil, o grupo ZAP 18 vai reencenar o novo espetáculo nos dias 6 e 7, às 18h, na sede da companhia (rua João Donada, 18, Serrano). A entrada é gratuita. Na montagem, a história do futebol, desde os times de várzea dos anos 1960 ao presente, é lembrada.

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