Saber perder

iG Minas Gerais |

souzza rodrigo
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Há menos de uma semana, fiz um post no Facebook para falar sobre o quanto nós, torcedores de futebol, somos bobalhões. O quanto nos igualamos na babaquice de engrandecer nosso time e desqualificar o do outro, sempre que nos é conveniente. E, para mim, sinceramente, se não se fizer uso da violência física, da homofobia e do racismo para tirar uma onda com o torcedor adversário, está tudo certo. Faz parte da alegria do futebol porque, como não há mal ou bem que sempre durem, o cara humilhado hoje se vingará amanhã (mesmo que esse amanhã dure anos). Comigo aconteceu recentemente. Sou corintiana e, claro, não perdi a chance, após mais uma derrota do Galo para o meu time no Campeonato Brasileiro, de chegar à redação e anunciar: “Bom dia, freguesia!” Duas semanas depois, quando o Atlético eliminou o Corinthians da Copa do Brasil, de virada e goleada, agradeci a Deus por estar de férias, porque sabia que a “tiração” de sarro iria ser grande. E quanto sofreram, durante anos, os atleticanos nas mãos dos flamenguistas para agora se vingarem de forma tão espetacular? É assim, tem que ser assim, e só assim tem graça. Apelou, meu caro, perdeu duas vezes. Não tem coisa mais feia que gente que não saber perder. Por isso, é inacreditável que em outras esferas da vida, bem mais importantes, como a política, um candidato e seus eleitores se recusem a aceitar a derrota. Numa democracia, a regra é clara, como se diz no futebol: o candidato que receber a maioria dos votos válidos está eleito. E não fará nenhuma diferença espernear. O resultado não vai mudar. O que, sim, é importante observar é o papel que o político derrotado exerce numa situação dessas. Se aceita a vitória legítima do adversário e assume um papel de oposição de verdade àquele que tanto condenou, estará fortalecendo o sistema democrático, e todos, absolutamente todos, só têm a ganhar com isso. Mas, se, ao contrário, continua com discurso de candidato em cima de palanques virtuais, propagando infâmias contra o candidato eleito e seus eleitores, mostra sua imaturidade política e fragilidade emocional e ainda contribui para o acirramento do ódio. Tudo isso porque ofender é fácil, difícil é fazer oposição de verdade. Apelou, “Vossa Excelência”, perdeu duas vezes. Aprende com o futebol. 

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