Anac ameaça multar responsáveis por embarque inadequado de cadeirante

Multas aos envolvidos podem chegar a R$ 300 mil, segundo a Agência responsabilidade pelo embarque é das empresas aéreas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Empresária optou por não ser carregada por existir o risco de que se machucar ao ser transportada por pessoas sem treinamento
Reprodução / Facebook
Empresária optou por não ser carregada por existir o risco de que se machucar ao ser transportada por pessoas sem treinamento

A Anac (Agência Nacional de Avião Civil) notificou nesta terça-feira (2) a companhia aérea Gol e a Infraero, órgão que administra dezenas de aeroportos do país, para que prestem esclarecimentos, em dois dias, sobre o embarque inadequado e irregular de uma cadeirante no aeroporto de Foz do Iguaçu (PR), na madrugada desta segunda-feira.

Sem instrumentos de acessibilidade que garantissem sua a entrada segura no avião, a executiva Katya Hemelrijk da Silva, 38, optou por arrastar-se pelos quinze degraus de escada que davam acesso à aeronave. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo.

Vítima de doença genética rara conhecida como "síndrome dos ossos de cristal", a osteogenese imperfeita, que deixa os ossos muito frágeis, Katya é cadeirante e afirma que não pode ser levada no colo por pessoas sem treinamento, pois corre o risco de ter membros quebrados e se machucar com gravidade.

Em nota, a agência informou que a conduta da empresa e da administradora do aeroporto, a Infraero, foram "irregulares", com base em resolução de 2013, que traça determinações sobre o atendimento de pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida no transporte aéreo. Segundo a Anac, os envolvidos no caso poderão pagar multas que chegam a R$ 300 mil.

"Torço para que, se houver punição, os recursos dessas multas sejam revertidos em capacitação das equipes, em estrutura de acessibilidade para os aeroportos. Não adianta multar por multar", afirmou Katya.

A Gol, por meio de sua assessoria, lamentou o ocorrido, disse que tomará providências futuras e afirmou que ofereceu "alternativas" à cliente, que optou por subir as escadas sozinha.

A Infraero informou que a responsabilidade pelo embarque e desembarque de pessoas que precisam de atendimento especial é das companhias aéreas e que, em 2015, irá colocar 15 equipamentos de apoio para esses procedimentos em aeroportos brasileiros, inclusive no de Foz do Iguaçu.

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