Destaques no último jogo, cubanos de Sada e Minas travam duelo

Enquanto minastenista fez 27 pontos contra o Sesi-SP, Leal teve 100% de aproveitamento nos ataques diante do Vôlei Canoas-RS

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Alexandre Arruda/CBV
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Apenas os números da última partida seriam suficientes para que Yadrián Escobar e Leal, cubanos de Minas Tênis Clube e Sada Cruzeiro, chegassem como possíveis protagonistas para mais um clássico do vôlei mineiro e nacionais. As duas principais equipes do Estado se enfrentam nesta quarta-feira, às 21h30, na Arena Minas, com transmissão ao vivo do Sportv. Enquanto o time celeste lidera a Superliga masculina, invicto após oito jogos, o Minas chega em um bom momento, depois de vencer o favorito Sesi-SP, fora de casa. O resultado colocou o clube da Rua da Bahia na quinta posição, com seis vitórias em oito jogos.

O oposto minastenista foi o destaque da última rodada . Marcou nada menos do que 27 pontos, mais do que um set inteiro. Escobar foi um dos principais responsáveis pelo triunfo em São Paulo. Já Leal atendeu ao chamado do levantador William com plenitude. Foram 15 pontos e 100% de aproveitamento na parte ofensiva. Quando 'El Mago' resolvia jogar na ponta, lá estava Leal para afundar o solo, para desgosto do Vôlei Canoas-RS, derrotado em três sets.

Mais do que compatriotas, os cubanos são amigos de longa data. Esta não será a primeira vez que eles estarão frente a frente. Eles já se enfrentaram no Campeonato Mineiro, quando Leal venceu todos os duelos.

"Fora de quadra, somos irmãos. Dentro dela, adversários. Cada um vai defender sua camisa, é o que temos que fazer", afirma Escobar, que mostra ter ainda mais para crescer. "Estou me saindo como pensava, mas sei que posso melhorar. Ainda cometo muitos erros", admite o exigente cubano, que não chega a surpreender o amigo.

"Estou feliz pelo que ele vem mostrando, já chegou dando resultado. Ele está de parabéns, espero que continue nesse caminho", deseja Leal.

Sucesso. Não são poucos os casos de cubanos que tiveram uma passagem feliz pelo vôlei brasileiro. Mais recentemente, é possível se lembrar da ponta Herrera, que encantou a torcida do Minas e também do Praia Clube. Daymi Ramirez, que voltou ao clube de Uberlândia nesta temporada, é outra.

Representantes do lado masculino, Leal e Escobar confirmam uma tradição que não costuma falhar. "Os cubanos mostram que possuem potencial para jogar em qualquer liga do mundo. Fazemos um bom trabalho muito por causa da nossa formação, que é bem feita em Cuba", aponta Leal.

Escobar concorda e os ensinamentos recebidos na adolescência o permitem, ainda, ser uma opção para o técnico Nery Tambeiro, como ponta.

"O trabalho em nível universitário, em Cuba, é bem feito. Isso rendeu frutos. Estou me destacando, também, pela confiança que o Nery tem depositado em mim", agradece.

O treinador devolve o elogio e mostra contar com o jogador para os momentos de decisão, quando a turma da ilha de Fidel costuma crescer.

"O Escobar é um jogador fundamental para a nossa equipe. Como oposto, ele não deixa nada a desejar e está evoluindo muito rápido. Ainda pode crescer mais, mas ele está correspondendo bem", afirma o comandante.

O fato de poder atuar em duas posições ofensivas dá um leque maior de opções para Nery, que sabe que pode contar com Escobar também na linha de passe, fundamento exigido para um bom ponteiro.

"Ele está jogando como oposto, mas sempre treina passe para estar preparado caso a equipe precise dele como ponta. O fato dele jogar nas duas posições é bom, pois me deixa com várias opções táticas", avalia Nery.

Não é de hoje.  Leal e Escobar se conheceram em Cuba, quando os dois atuavam no vôlei de quadra. Ali eles construíram uma amizade que é tratada por ambos como irmandade. Escobar acabou indo atuar no vôlei de praia, mas os contatos permaneceram dentro do local de treinamentos.

Depois de dois anos parado, devido a uma exigência do governo cubano para aqueles que querem jogar fora do país, Escobar voltou à ativa, mas ainda sente um pouco aa falta de ritmo.

"Esse período me atrapalhou. Perdi, praticamente, toda a forma física. Eu não corria, nem treinava, não fazia nada esportivo. Só estudava", lembra o cubano.

Leal sabe bem pelo que o amigo passou e reconhece o esforço e os resultados. "Ele ficou parado neste tempo, mas já está mostrando uma boa forma novamente. Ele é um dos líderes do time do Minas e tem mais para dar", garante.

Escobar estudou licenciatura até o último ano, quando deixou os estudos para atender o convite do Minas. Faltando um ano para sua formação, ele espera dar aulas de vôlei para crianças quando deixar as quadras. Ele precisa voltar a Cuba para terminar o curso.

A chegada ao Brasil parece ter feito bem ao minastenista. "Aqui a gente consegue se comunicar melhor e os brasileiros são muito amáveis. Isso contribui", reconhece.