Mancini repartiu salário com funcionários para evitar greve geral

Mesmo recebendo apenas 25% de seus vencimentos nos últimos seis meses, técnico não queria que as 'engrenagens' do time parassem de vez

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Rebaixado à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, o Botafogo vive uma crise financeira sem precedentes. A situação é tão complicada que o técnico Vágner Mancini revelou que ele e alguns jogadores do elenco ajudavam financeiramente outros funcionários do clube, pagando entre outras coisas o transporte para os treinamentos. O comandante botafoguense temia uma greve geral, e mesmo recebendo apenas 25% do seu salário nos últimos seis meses, tentava dar sua contribuição para que as 'engrenagens' do time não parassem de vez.

“Várias vezes coloquei a mão no bolso. Não só para quitar as minhas contas, mas para ajudar alguns outros funcionários que tinham dificuldades até para ir ao treino. Outros atletas também fizeram isso. Tínhamos que fazer com que as engrenagens do Botafogo andassem, tínhamos que ir a campo treinar e jogar. As dificuldades eram enormes e só não foram maiores porque tentamos, nessa gestão de pessoas, fazer com que diminuíssemos os possíveis problemas”, disse o treinador, que não tem seus direitos de imagem depositados desde junho.

“Já tive atraso de pagamento porque dirigentes acham que é uma tônica, que dá para conviver, mesmo sendo uma falta de respeito. Mas nunca vivi com esse tempo de atraso”, relatou Mancini.

O rebaixamento poderia ter vindo bem antes se não fosse a intervenção direta do comandante. “A gestão de pessoas e do grupo do Botafogo ficou restrita ao técnico e à minha equipe de trabalho. Muitas vezes quem aparou as arestas, quem foi para o front para que não houvesse mais desgaste ainda, com jogadores sujeitos à greve, esse tipo de coisa, foi o treinador. Tive que me desdobrar dentro do clube. Não me arrependo, por isso chegamos até a penúltima rodada com possibilidade de sair. Senão, a situação seria pior", finalizou.