Na teoria, a prática foi outra

Diretores investigados pela Polícia Federal aprovaram políticas anticorrupção na Petrobras

iG Minas Gerais |

Acusado. Em 2005, Ildo Sauer oficializou participação da Petrobras em pacto internacional anticorrupção
CHARLES SILVA DUARTE
Acusado. Em 2005, Ildo Sauer oficializou participação da Petrobras em pacto internacional anticorrupção

Brasília. Acusados de receber propina para beneficiar fornecedores, funcionários do primeiro e do segundo escalões da Petrobras participaram diretamente da aprovação de políticas anticorrupção da estatal, segundo documentos obtidos pelo jornal “O Globo”. Investigados no âmbito da operação Lava Jato, os ex-diretores Paulo Roberto Costa e Renato Duque e o ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco foram consultados quando a estatal decidiu aderir ao seleto grupo do programa Paci (Partnering Against Corruption Initiative), iniciativa de combate à corrupção do Fórum Econômico Mundial, em 2005.

Ao assinar o acordo, a estatal se comprometeu, na época, a ter uma “política de tolerância zero com o suborno” e a desenvolver “um programa de implementação prática e eficiente” contra a corrupção.

A adesão ao Paci vinha sendo discutida desde 2003 pela empresa, na gestão da primeira diretoria indicada pelo governo Lula para a Petrobras. Naquele ano, a empresa já havia aderido ao Pacto Global, da ONU, outro acordo que previa o respeito a dez princípios fundamentais, entre eles o combate à corrupção “em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina”.

O primeiro contato com a Petrobras para a estatal participar do Paci foi feito pela gerente de projetos do Fórum Econômico Mundial, Valerie Weinzierl. A oficialização ocorreu em janeiro de 2005, durante o encontro dos principais integrantes do PIB mundial em Davos, na Suíça. O representante da estatal no evento foi o então diretor de Gás e Energia, Ildo Sauer.

Em nome do Brasil, participavam do encontro, em outras mesas de debates, o ex-presidente Lula e os então ministros da Casa Civil, José Dirceu – condenado depois no escândalo do mensalão –, e da Fazenda, Antônio Palocci. Antes de assinar a adesão ao Paci, Sauer consultou por telefone o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, e a diretoria executiva, da qual participavam Renato Duque e Paulo Roberto Costa. Todos deram aval à iniciativa.

Na época, a Petrobras era a única brasileira entre as 62 empresas mundiais signatárias do pacto. Ao regressar ao Brasil, Sauer encaminhou ofício ao segundo escalão da estatal propondo a implementação de medidas anticorrupção. Entre os destinatários estava Pedro Barusco, hoje acusado de receber pelo menos US$ 100 milhões em propina por suas atividades na empresa nos últimos anos. Barusco também deu aval às medidas anticorrupção.

Fornecedores

Amplo. Ildo Sauer propôs o desenvolvimento de um programa contra a corrupção e, em uma fase posterior, “expandir a iniciativa com o respectivo desdobramento até o nível dos fornecedores”.

Prorrogado

Inquéritos. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da operação Lava Jato, decidiu ampliar por 15 dias o prazo para que a Polícia Federal conclua os inquéritos sobre a participação de seis empresas no esquema de superfaturamento, e desvio de dinheiro e cobrança de propina para obras da Petrobras.

Alvos. O prazo estendido se refere às investigações sobre as empresas Camargo Corrêa, Engevix, Constran, Mendes Junior, Galvão Engenharia e OAS.

Nova data. De acordo com a PF, o prazo para a conclusão dos inquéritos expirava no último dia 29 de novembro. Com o adiamento, a Polícia Federal tem até o próximo dia 13 para entregar as conclusões à Justiça.

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