Apresentadora que está na UTI é nova vítima do hidrogel

Ex-vice-miss bumbum Andressa Urach passa por cirurgia e sofre com infecção após aplicação

iG Minas Gerais | BERNARDO ALMEIDA / GUILHERME ÁVILA |

Falsa biomédica aplica hidrogel em mulher que acabou morrendo
Arquivo pessoal / Divulgação
Falsa biomédica aplica hidrogel em mulher que acabou morrendo

O país assiste a mais um caso de complicações de saúde pelo uso de hidrogel para fins estéticos. A apresentadora gaúcha Andressa Urach, 27, está internada em estado grave na UTI do Hospital Conceição, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, após ter feito aplicações do produto nas coxas. Ela foi diagnosticada com infecção e levada às pressas por familiares para o pronto-socorro, na madrugada de ontem. Em sua conta oficial no Twitter, a assessoria de imprensa da apresentadora informou que ela passou por uma cirurgia e deve ficar internada por mais 15 dias.

Essa é a segunda vez que a ex-vice “Miss Bumbum” e apresentadora do programa “Muito Show”, da RedeTV!, passa por problemas com o produto. Há cinco meses, ela enfrentou uma situação delicada, ao precisar ser internada em São Paulo após sentir fortes dores nas pernas. Na época, ela disse ao site “EGO” que começou a sentir ferroadas no músculo. “Optei em fazer uma lipoaspiração nas coxas para retirar todo produto”, contou Andressa ao portal.

Os problemas de saúde de Andressa Urach ocorrem pouco mais de um mês após a morte da ajudante de leilão Maria José Medrado de Souza Brandão, 39. A mulher não resistiu às complicações de uma aplicação de hidrogel feita no bumbum por uma charlatã que se passava por biomédica. O filho de Maria José contou à polícia que a vítima já reclamava de dores e falta de ar quando saía da clínica, horas antes de dar entrada no pronto-socorro e morrer.

O procedimento foi realizado por Raquel Policena Rosa, que se dizia biomédica. Além de não ser capacitada, a falsa biomédica executou o procedimento em um local impróprio. O caso levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a alertar, em nota, “a realização de procedimentos invasivos deve ser feita apenas por médicos capacitados, como forma de reduzir a chance de surgimento de problemas de saúde para o paciente, com consequências graves e definitivas”. O conselho lembra, na nota que a lei nº 12.842/13 estabelece que procedimentos invasivos são atos privativos dos médicos.

Alerta. O CFM informou também que os responsáveis pelos procedimentos devem ter conhecimentos médicos e sobre a interação de fórmulas utilizadas no processo, “apesar da aparente simplicidade de aplicações de substâncias no corpo humano”, e que o médico é o profissional preparado para enfrentar possíveis complicações decorrentes dessa aplicação, sabendo tratá-las da forma correta.

O hidrogel é um material que serve de veículo para produtos com finalidade estética – é formado 98% por água e o restante da substância que tem a função de moldar partes do corpo. O gel suga a água e permite o preenchimento por essas moléculas, normalmente para dilatar a região, dando um molde para os músculos.

Por sua característica de sucção da água, o hidrogel também pode ser utilizado em curativos, com o objetivo de umidificar a região do ferimento. De acordo com Cláudio Salum, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o procedimento em si não é o problema, embora ofereça riscos. “Todo procedimento cirúrgico que tem caráter invasivo pode ter complicações, até uma simples injeção, que pode pegar um vaso, provocar um hematoma. Se o médico está habilitado e sabe fazer uma pulsão, não há problemas”, explica Salum, que disse não ser possível determinar o que pode ter causado as complicações neste caso específico.

Nos EUA

Vetado. Os procedimentos de nádega de hidrogel são proibidos nos EUA porque, muitas vezes, a solução utilizada vem de fora do mercado ou é feita de forma barata, levando a um risco de infecção.

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