Com suspensão de programa, refugiados podem passar fome

cumprem seus compromissos, e mais de 1,7 milhão de pessoas serão afetadas

iG Minas Gerais |

Deslocamento. 
Guerra civil na Síria, que já dura três anos, obrigou mais de 3 milhões de pessoas a se refugiarem em países vizinhos
AP
Deslocamento. Guerra civil na Síria, que já dura três anos, obrigou mais de 3 milhões de pessoas a se refugiarem em países vizinhos

Beirute, Líbano. O Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) suspendeu nesta segunda o auxílio a mais de 1,7 milhão de refugiados sírios por causa da falta de recursos, já que muitos doadores não conseguiram cumprir seus compromissos de financiamento.

O corte do programa, que atende refugiados sírios na Jordânia, Líbano, Turquia, Iraque e Egito com cupons eletrônicos para a compra em lojas locais, significa que muitas famílias ficarão famintas, disse a agência em comunicado. O PMA também afirmou, em nota, que precisa de US$ 64 milhões (R$ 163,8 milhões) para amparar os deslocados durante o mês de dezembro.

“A suspensão da ajuda alimentar do Programa Mundial de Alimentos será desastrosa para muitas famílias que já sofrem”, disse a diretora-executiva do programa, Ertharin Cousin. Ela acrescentou que a suspensão também “colocará em perigo a saúde e a segurança desses refugiados e vai potencialmente causar novas tensões, instabilidade e insegurança nos países que recebem essas pessoas”. Ertharin ainda ressaltou que os refugiados foram mal preparados para mais um inverno difícil, especialmente aqueles que estão no Líbano e na Jordânia, onde tendas estão encharcadas de lama, as condições de higiene são precárias e muitas crianças não têm nem mesmo sapatos e roupas para se proteger contra as baixas temperaturas.

Crise. A guerra civil síria, que já dura mais de três anos, matou mais de 200 mil pessoas e provocou uma enorme crise humanitária, forçando mais de 3 milhões de pessoas a buscar refúgio fora do país e desalojando outras 6,5 milhões no interior do território sírio.

A tentativa de atender os afetados pela crise colocou uma enorme pressão sobre os países que receberam os refugiados, assim como sobre as organizações que fornecem ajuda humanitária.

A diretora-executiva do programa disse que muitos doadores não honraram seus compromissos, o que deixou as operações da ONU para os sírios com problemas de financiamento.

A agência da ONU disse que se recursos forem doados, o programa poderá ser imediatamente retomado.

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