Bactéria da febre maculosa circula na região da Pampulha

Cinco das seis amostras analisadas pela Funed deram positivo

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Exames feitos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) comprovaram que a bactéria que pode causar a febre maculosa circula na região da lagoa da Pampulha, cartão-postal de Belo Horizonte. Cinco das seis amostras de carrapatos retiradas de seis capivaras da orla apresentaram resultado positivo para o parasita. O dado foi divulgado nesta segunda no Ministério Público, onde a questão foi tratada em reunião entre representantes de Secretaria de Estado de Saúde, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Sociedade Protetora dos Animais.

O encontro, no entanto, não apontou uma solução final para a questão. A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Lilian Marotta, espera que os órgãos envolvidos assinem acordo até 20 de dezembro.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que nas próximas semanas vai intensificar as ações de combate à doença. Gerente de Vigilância em Saúde da capital, Maria Tereza da Costa Oliveira informou que as capivaras foram tratadas com carrapaticidas e que materiais informativos serão distribuídos. “Ações vão chamar a atenção da população e dos servidores da Saúde quanto à existência da bactéria e ao risco da doença”, disse. Servidores em centros de saúde serão orientados a prestar atenção nos casos sugestivos de febre maculosa.

Precauções. Maria Tereza aconselha que as pessoas que frequentam a região usem meias e roupas compridas, além de adotar o hábito de procurar o carrapato pelo corpo. Cães e cavalos, que podem ser hospedeiros do carrapato, também devem ser objeto de atenção. “Esses animais devem ser tratados contra o parasita”.

Médico infectologista e professor da UFMG, Unaí Tupinambás explicou que a contaminação depende do tempo em que o carrapato fica em contato com a pele humana. “Quem frequenta a região deve usar roupas brancas”, sugere. Ele explicou que médicos devem ficar atentos aos sintomas, para diagnosticar e tratar precocemente a doença. “A febre maculosa pode matar”, conclui.

Outros animais passam doença

Complexidade.  Analista ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), Júnio Augusto explicou que a retirada das capivaras da orla da lagoa não resolveria o problema dos carrapatos. “Cães e animais de tração também são portadores (do parasita que transmite a doença)”.

Saída. Ministério Público e especialistas buscam uma solução que contemple saúde pública, integridade dos animais e preservação do patrimônio.

Relembre

Risco. No último dia 21, O TEMPO divulgou que, dos 46 mamíferos capturados, 28 têm sorologia positiva para a doença. Isso significa que alguma vez eles tiveram contato com o parasita.

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