Shakespeare pelo mundo

Atores e integrantes do Shakespeare Globe Theatre celebram a oportunidade de conhecer 205 países em turnê

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Dinâmicos. Fora os dois protagonistas, os outros dez atores da montagem se desdobram entre todos os demais personagens da trama
Liz Lauren / Divulgacao
Dinâmicos. Fora os dois protagonistas, os outros dez atores da montagem se desdobram entre todos os demais personagens da trama

Por ser filho pródigo do maior autor de peças do ocidente, o Shakespeare Globe Theatre carrega consigo uma responsabilidade muito grande em preservar a memória do bardo e também movimentar seu vastíssimo repertório. Afinal, a grande marca (e magia) do teatro está na sua efemeridade e no fato de ser feito aos olhos do público. Assim, a companhia persevera e faz do teatro sediado no Queen’s Walk, às margens do Tâmisa, em Londres, um espaço de reverência viva à memória de seu patrono.

A trupe vive entre a tênue fronteira do tradicional e do contemporâneo, sempre muito zelosa e respeitosa com a obra de Shakespeare. “Nós nos envolvemos com as obras dele em uma variedade de maneiras. Às vezes, fazemos Shakespeare em sua ‘prática original’, tentando recriar técnicas de palco elizabetanas (o palco elizabetano é uma marca do período de Shakespeare, é mais dinâmico, com mais de um andar – em trocas de cenário, por exemplo – que o tradicional palco italiano e promove uma relação mais direta com a plateia), mas também fazemos interpretações muito contemporâneas das peças. A variedade é muito importante para nós”, comenta Tom Bird, produtor da companhia.

O “Hamlet” que a companhia traz a Belo Horizonte parece se situar na segunda linha de pesquisa mencionada por Bird. O trabalho é uma versão resumida da clássica tragédia de Shakespeare sobre vingança, que traz o papel principal dividido entre dois atores. Um deles, um ator negro, o que pode fazer o público relacioná-lo com outro personagem icônico e complexo da obra do bardo: Otelo, o mouro de Veneza. Todos os outros personagens são divididos entre os demais atores – no total são 12 em cena.

“Trabalhei bastante em cima do texto antes de começarmos os ensaios, mas evitei entrar especificamente na profundidade de qualquer personagem e mantive minha mente aberta. Agora eu entendo que tudo é uma questão de controle do tempo – você não pode investir muito num personagem quando você interpreta 11. Fora isso, aprendemos todas as músicas, danças, diferentes instrumentos. Estou fora da minha zona de conforto, o que certamente é algo bom”, comenta Beruce Khan, ator do Globe.

Para além do prazer de interpretar papéis escritos por Shakespeare, “Hamlet” proporciona ao elenco do Globe Theatre a possibilidade única de se viajar ao redor do mundo, conhecer lugares e pessoas diferentes e atingir a incrível marca de apresentações em 205 países diferentes. “É uma experiência única na vida!”, exclama a atriz Miranda Foster. “Como alguém poderia deixar uma oportunidade dessa?”, completa.

“Eu nunca havia feito ‘Hamlet’ anteriormente, e é uma peça tão icônica que eu sempre quis fazê-la. O que Hamlet fala sobre o quão preciosa são as coisas e quão efêmeros e insignificantes nós, humanos, somos; ele fala sobre a vida e sobre o que acontece após a morte, que todos nós sentimos, mas não falamos em voz alta. Não há ninguém que não possa se relacionar com Hamlet, suas perguntas e suas quedas. A peça é o viés do filósofo sobre a vida, e fazê-la é uma jornada filosófica para mim. A chance de viajar ao redor do mundo é uma boa chance de passar isso adiante”, revela Khan.

Poema sem limites. A peça mostra a história do príncipe da Dinamarca, Hamlet, que, ao saber da morte do rei, seu pai, volta para casa e encontra seu tio casado com sua mãe e já instalado no trono. À noite, o fantasma do antigo rei exige que Hamlet se vingue de seu “assassinato brutal e injusto”.

Envolvendo intriga política e obsessão sexual, reflexões filosóficas e violência, morte trágica e humor selvagem, Hamlet, chamado de “o poema sem limites” de Shakespeare, é um gigante na história da língua inglesa e a mais rica expressão da genialidade de Shakespeare.

Programe-se

O quê. “Hamlet”, com Shakespeare Globe Theatre.

Quando. Amanhã e quinta, às 20h.

Onde. Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro).

Quanto. Plateia R$ 60 e R$ 30 (meia-entrada)

Plateias II e III - R$ 50 e R$ 25 (meia-entrada)

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