Crime reduz expectativa de vida

Número de jovens que morrem antes dos 25 anos caiu apenas 4,35% de 1980 a 2013, diz pesquisa

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Gutierrez. Jovem mostra foto com namorado, o estudante Matheus Salviano, 21, vítima de latrocínio em BH
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Gutierrez. Jovem mostra foto com namorado, o estudante Matheus Salviano, 21, vítima de latrocínio em BH

A expectativa de vida média do brasileiro ao nascer aumentou de 74,6 anos para 74,9 anos se comparados os anos de 2012 e 2013, segundo dados divulgados nesta segunda pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice aumentou 12,4 anos desde 1980, quando era de 62,5. Minas Gerais ficou em sexto lugar entre todas as unidades da Federação, com expectativa de vida de 76,4 anos, superior à média nacional. Apesar de os dados serem positivos, de acordo com o instituto, o número de jovens que não sobrevivem até os 25 anos – principalmente os homens – quase não apresentou redução, o que pode ter impactado o resultado geral.

A pesquisa aponta que, em 1980, de cada mil jovens do sexo masculino que atingissem os 15 anos, aproximadamente 23 não chegariam aos 25. Os números foram praticamente iguais em 2013, quando 22 em cada mil jovens de 15 anos não completariam os 25 anos, segundo o IBGE, o que representa queda de 4,35%. Pesquisadores creditam o resultado à violência, que atinge mais os homens. “A maioria (dos jovens que morrem antes dos 25 anos) é vítima de causas violentas e externas, como acidentes, homicídios e, em menor escala, suicídios, afogamentos e outros acidentes”, diz Luciene Longo, analista do IBGE.

Se a tendência nacional de aumento na expectativa de vida tivesse sido verificada entre os jovens, a melhora no índice no país poderia ter sido maior. “Trabalhamos com as médias das idades. Se os jovens não estivessem morrendo, contribuiriam para o aumento da média. A do Brasil continua aumentando, mas poderia ter sido superior se não fosse o efeito das mortes prematuras de jovens pela violência”, detalha a demógrafa.

Estados. O aumento nos últimos 33 anos foi registrado em todas as unidades da Federação, mas alguns Estados se destacam. O que teve o aumento mais significativo foi o Rio Grande do Norte, com 16,8 anos entre 1980 e 2013. Ele foi seguido por Pernambuco (15,9), Paraíba (15,3) e Alagoas (14,7). Já em Minas, o aumento foi de 15,3 anos.

Os Estados em que a expectativa de vida é maior, segundo a pesquisa, foram Santa Catarina, na região Sul, Distrito Federal, no Centro-Oeste, e São Paulo, na Sudeste. Juntos com Minas, eles superaram a média nacional, de 74,9 anos (confira mais no quadro abaixo).

Infância. Houve avanços também no que diz respeito à mortalidade infantil (até 1 ano), de 70 óbitos em cada mil bebês em 1980 para 15 em 2012. O indicador referente à infância (até 5 anos), de 84 óbitos em cada mil crianças em 1980, passou para 17,4 no ano passado, segundo o levantamento do IBGE.

“Quanto menos gente morrer nessa idade (até 5 anos), maior expectativa de vida. Esperamos melhora. Temos como reduzir mortalidade infantil. Quinze mortes a cada mil nascidos ainda é muita coisa”, finaliza Luciene Longo.

Entenda

Metodologia. A pesquisa Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil é feita anualmente pelo instituto, que sempre leva em consideração a mortalidade por faixas etárias distintas.

Melhora no índice diminui valor da aposentadoria Rio de Janeiro. O aumento na esperança de vida levou à redução de até 0,92% no valor da aposentadoria dos homens e de 0,78% no benefício das mulheres, segundo o Instituto Brasileiro de Estudos Previdenciários, com base na pesquisa divulgada pelo IBGE nesta segunda. A expectativa de vida – que subiu para 74,9 anos em 2013, três meses e 25 dias a mais do que em 2012 – é usada pela Previdência como parâmetro para definir o fator previdenciário no cálculo das aposentadorias. Um homem de 60 anos e 35 anos de contribuição pelo salário-teto (de R$ 4.390) receberia por mês R$ 3.767 caso tivesse pedido a aposentadoria até a última sexta-feira. A partir desta terça, um contribuinte nas mesmas condições que der entrada no benefício receberá R$ 3.733.

Mulheres vivem mais que homens A expectativa de vida do brasileiro ao nascer, que era de 62,5 anos em 1980, passou para 74,9 – 12,4 anos a mais. O aumento foi maior para as mulheres, que, nesses 33 anos, viram a esperança de sobrevida ao nascer aumentar de 65,7 para 78,6 – um crescimento de 12,9 anos. No caso dos homens, a variação foi de 59,6 para 71,3 – 11,7 anos a mais. A melhora para as mulheres corresponde a um ano, dois meses e 18 dias a mais de vida que a população masculina.

Mortalidade entre bebês diminui Os dados do IBGE mostram que a redução do nível de mortalidade da população brasileira se deu em todas as idades, mas o destaque é para os menores de 1 ano, que tiveram queda bem mais acentuada no índice. A pesquisa ainda destaca que isso é um resultado combinado de fatores, como aumento da escolaridade feminina, elevação do percentual de domicílios com saneamento adequado, diminuição da desnutrição infantojuvenil e maior acesso aos serviços de saúde.

País alcança objetivo do milênio O Brasil já alcançou o quarto item do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio – da Organização das Nações Unidas (ONU) –, de reduzir em dois terços, até 2015, a mortalidade de crianças menores de 5 anos. A base de cálculo é o índice do ano de 1990, quando morriam 59,6 de cada mil crianças de até 5 anos nascidas no país. O ideal era chegar ao ano de 2015 com taxa de 19,9. Atualmente, o número é de 17,4 por mil, segundo a pesquisa do IBGE.

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