Governo admite pela primeira vez que país deve ter déficit comercial

Segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), o resultado de novembro fez com que a pasta revisasse sua projeção

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

 O governo reconheceu pela primeira vez no ano que o país deve registrar deficit comercial em 2014. Segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), o resultado de novembro fez com que a pasta revisasse sua projeção. No mês passado, as importações superaram as exportações em US$ 2,4 bilhões. No ano, o déficit já chega a US$ 4,2 bilhões.

Até o início de novembro, o governo ainda insistia na possibilidade de superávit no ano. Caso a previsão se concretize, será o primeiro saldo comercial negativo desde 2000, quando o deficit foi de US$ 732 milhões.

"O Mdic está trabalhando agora com deficit comercial para 2014. Embora o número de dezembro seja tradicionalmente superavitário, ainda assim não deverá superar o deficit acumulado de janeiro a novembro", afirmou Roberto Dantas, diretor do departamento de estatística e apoio à exportação do Mdic.

Segundo ele, as apostas da pasta na recuperação das vendas em novembro não se concretizaram. O governo esperava aumento dos preços do minério de ferro, manutenção das exportações de carne e melhora da chamada conta-petróleo, que mostra a diferença entre a venda e a compra de petróleo e combustível do exterior. Nenhuma das três premissas prosperou.

As exportações de carne caíram, com redução nos embarques especialmente para a Venezuela e para a Arábia Saudita. Já a queda nos preços internacionais afetou as receitas do país com a venda de petróleo e de minério de ferro.

"O resultado de novembro seria um divisor de águas. Diante do resultado, o ministério revisou de uma perspectiva de pequeno superavit para deficit", afirmou Dantas.

Indústria

As exportações de janeiro a novembro estão em queda pelo terceiro ano consecutivo. E a indústria é quem tem perdido mais espaço.

Até novembro, as vendas de bens manufaturados representaram apenas 35,3% das exportações brasileiras, a menor participação registrada desde 1994, quando começa a série histórica do Mdic.

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