Presidente da TIM vê acordo com Oi como oportunidade e não necessidade

Rodrigo Abreu evitou fazer um prognóstico sobre a possibilidade de fechar negócio com seus concorrentes

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O presidente da TIM, Rodrigo Abreu, disse nesta segunda-feira (1) que a possibilidade de negócio com a Oi -seja uma compra da primeira pela segunda ou uma fusão entre as duas- é vista pela companhia como oportunidade e não necessidade.

O executivo falou com a imprensa após discursar na abertura do seminário International Telecomunications Society, no Rio, e evitou fazer um prognóstico sobre a possibilidade de fechar negócio com seus concorrentes.

Ele disse apenas que a empresa está atenta às oportunidades para fazer crescimento orgânico e aproveitou para alfinetar a Oi, ao dizer que se existirem empresas no mercado que precisem de reestruturação, certamente a TIM não está entre elas.

"É obvio que qualquer empresa responsável tem que entender o ambiente no qual está inserida, do ponto de vista de configuração ou reconfiguração do setor. É por essa razão que temos dito que se existirem oportunidades, serão analisadas. O processo segue para nós sem a necessidade de que algo aconteça. Talvez exista players no mercado que tenham necessidade de uma grande mudança estrutural que certamente não somos nós", afirmou Abreu.

Abreu lembrou que a compra da Portugal Telecom pela a Oi elevou o endividamento da brasileira. Ele considerou que a possível venda da empresa europeia, o que permitiria a brasileira saldar suas dívidas e fazer uma possível oferta de compra à TIM, deixaria a Oi no mesmo patamar em que ela se encontrava há dois anos, antes de o processo de fusão começar. Em tom dúbio, ele deu a entender que seria difícil para Oi fazer uma oferta de compra que atendesse às expectativas dos controladores da TIM mesmo após se capitalizar com a venda.

"Na prática, se esse processo de venda for concluído, será uma volta do que [a Oi] era há dois anos. Mas vale lembrar que o índice de alavancagem da companhia é muito alto. Quando você baixa o índice de alavancagem por causa de uma venda, você ainda volta para uma situação de alta. Não acredito que seja propriamente um fato concluído dizer que a recapitalização é a solução de todos os problemas [da Oi]", disse.

Consolidação do mercado

Como revelou a Folha de S.Paulo, há um movimento de consolidação do mercado de telefonia. Há a expectativa que a Oi venda a Portugal Telecom para que possa ao lado da Vivo e da Claro, fazer uma oferta de compra da TIM à Telecom Italia.

O acordo previa que a oferta só seria feita se a Oi vendesse a PT. A companhia pretende usar o dinheiro para reduzir sua dívida de R$ 47,7 bilhões. Com isso, ganhará fôlego para se capitalizar e, em conjunto com as concorrentes, fazer a oferta pela TIM.

Mas isso não significa que a TIM vá ser fatiada. O negócio depende da aprovação do conselho da Telecom Italia, que, neste momento, tem "carta branca" para avaliar de que forma poderá se consolidar no Brasil.

Em vez de vender a TIM, os italianos preferem uma fusão com a Oi. Mas, para isso, querem abrir todas as gavetas da companhia. A Oi ainda negocia a venda das operadoras da PT na África e espera arrecadar mais US$ 1,2 bilhão.

A operadora francesa Altice aumentou o lance pela compra da Portugal Telecom (PT) e ganhou a preferência da diretoria da Oi, que recomendou ao conselho a aprovação do negócio. Nesta segunda-feira (1º), a Oi celebrou um contrato de exclusividade com o grupo europeu de telecomunicações Altice por um período de até 90 dias para negociação dos termos finais da venda dos ativos da Portugal Telecom.

4G

Abreu disse ainda que a TIM fará, ainda esta semana, o pagamento à vista de R$ 1,7 bilhão referente a aquisição de lote no leilão da tecnologia 4G realizado em setembro pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

A empresa depositará também cerca de R$ 60 milhões em juízo devido a divergências com a Anatel sobre valores cobrados além do preço de aquisição do lote. Segundo Abreu, a Anatel está cobrando dos vencedores do leilão valores que seriam referentes a créditos tributários que não estariam explicitados no edital.

As quatro vencedoras irão depositar em juízo um total de cerca de R$ 200 milhões até que a divergência seja resolvida. A assinatura dos contratos para o uso da tecnologia será no próxima sexta-feira (5).

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