Após 4 anos recluso, d. Paulo Evaristo Arns celebra missa aos 93 anos

Evento foi uma das raras aparições públicas do religioso, que, após receber o título de arcebispo emérito em 1998, decidiu viver mais recluso

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O arcebispo emérito de São Paulo d. Paulo Evaristo Arns, 93 anos, ajudou a celebrar uma missa na Catedral da Sé, em São Paulo, na manhã deste domingo (30).

O evento foi uma das raras aparições públicas do religioso, que, após receber o título de arcebispo emérito em 1998, decidiu viver mais recluso -sua última grande celebração foi também na Catedral da Sé, há quatro anos.

A missa, presidida pelo arcebispo metropolitano de São Paulo, d. Odilo Scherer, marcou o primeiro domingo do advento -período de preparação para o Natal. De acordo com a Cúria da Arquidiocese de São Paulo, d. Paulo pediu para participar por causa do aniversário de 69 anos de sua ordenação como padre.

Em discurso que durou cerca de dois minutos, ele pediu orações pela família, pelos jovens e pela vocação religiosa. "Nossa querida arquidiocese é tão grande e se desenvolve tanto, que jamais terá vocações suficientes se assim continuarmos", disse.

O senador Eduardo Suplicy, o ex-ministro da Justiça José Gregori e o jurista Dalmo Dallari compareceram à igreja, que ficou lotada para o evento.

História

Um dos principais nomes da luta em favor dos direitos humanos durante a ditadura militar, d. Paulo criou, em 1972, a Comissão Brasileira Justiça e Paz, que articulou denúncias contra abusos do regime.

Presidiu celebrações em memória do estudante universitário Alexandre Vannucchi Leme e do jornalista Vladimir Herzog, ambos mortos durante a ditadura.

D. Paulo também fundou o projeto "Brasil: Nunca Mais", que reuniu documentos oficiais sobre o uso da tortura durante o regime militar no Brasil. A iniciativa ajudou a sistematizar informações de mais de 1 milhão de páginas de 707 processos do STM (Superior Tribunal Militar).

O relatório obtido teve papel fundamental na identificação e denúncia de torturadores do regime e no esclarecimento de assassinatos e desaparecimentos.

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