Após 40 detenções, confronto segue em área governamental de Hong Kong

Na manhã desta segunda (1°), centenas de pessoas continuam na área de Admiralty, o principal acampamento dos manifestantes que ocupam áreas da cidade há 65 dias

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Um total de 40 pessoas foram detidas na madrugada desta segunda-feira (1°) em Hong Kong durante os confrontos entre centenas de policiais e manifestantes pró-democracia que tentaram cercar os prédios governamentais como nova forma de protesto.

Nesta manhã, centenas de pessoas continuam na área de Admiralty, o principal acampamento dos manifestantes que ocupam áreas da cidade há 65 dias.

Nas primeiras horas da noite de domingo (30) os manifestantes tentaram bloquear os acessos aos principais prédios governamentais, entre eles o do Conselho Legislativo (Parlamento) e o escritório da chefia de governo.

Nesta segunda, as ruas permaneceram abertas ao trânsito, mas o complexo governamental permanece fechado e os trabalhos do Conselho Legislativo estavam suspensos.

O líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, disse que a polícia havia sido bastante tolerante, mas que agora tomaria uma "ação resoluta", sugerindo que a paciência pode ter se esgotado.

O caos irrompeu à medida que as pessoas chegavam para trabalhar, com centenas de manifestantes cercando o Admiralty Centre, que abriga escritórios e lojas, em um grande impasse com a polícia.

"Algumas pessoas confundiram a tolerância da polícia com fraqueza", disse Leung a repórteres. "Eu peço aos estudantes que estejam planejando retornar para os locais de ocupação nesta noite que não o façam."

A polícia usou gás de pimenta e atacou os manifestantes em várias ocasiões ao longo de toda a noite, para conter os concentrados que tentaram romper as barreiras policiais para cercar os edifícios oficiais.

Os agentes também usaram mangueiras de água nesta manhã para tentar dispersar os manifestantes. As forças policiais foram alvos de garrafas atiradas pelos ativistas.

Os organizadores fizeram a convocação do protesto no domingo depois que a polícia desmantelou na semana passada, no distrito de Mongkok, uma das três áreas ocupadas pelos manifestantes pró-democracia de Hong Kong. Na ação, vários ativistas foram detidos, incluindo o líder estudantil Joshua Wong.

Em Mongkok, 12 pessoas foram detidas no domingo, disse a polícia, após empurrões entre os agentes e centenas de pessoas que tentaram retomar algumas das ruas. As organizações Scholarism e Federação de Estudantes disseram que esta nova forma de protesto era mais um passo para pressionar o governo de Hong Kong para que atenda suas demandas a favor da instauração do voto universal sem restrições.

Democracia

Os manifestantes pedem o sufrágio universal na ex-colônia britânica, hoje controlada pela China. Em agosto, Pequim ofereceu ao povo de Hong Kong a chance de votar em seu próprio líder em 2017, mas disse que apenas dois ou três candidatos poderiam concorrer depois de obterem aprovação de um comitê com 1.200 pessoas, formado principalmente por apoiadores do regime de Pequim.

Os manifestantes exigem que os candidatos sejam livres para disputar as eleições. Mais de 100 mil pessoas foram às ruas no pico das manifestações, mas esse número caiu para algumas centenas recentemente.

O movimento pró-democracia representa uma das maiores ameaças à liderança do Partido Comunista da China desde a sangrenta repressão de Pequim contra manifestantes a favor da democracia na Praça da Paz Celestial, em 1989.

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