Pediatras do Hospital Infantil João Paulo II fazem paralisação de 24 h

Apenas os atendimentos de urgência e emergência estão sendo mantidos; médicos pedem por novos concursos e reclamam da sobrecarga de trabalho

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Os pediatras do Hospital Infantil João Paulo II, no centro de Belo Horizonte, iniciaram nesta segunda-feira (1º), uma paralisação de 24 horas, como forma de protesto pela falta de profissionais na unidade, o que gera sobrecarga de trabalho. 

“Nós temos uma adesão hoje de mais de 80% dos profissionais. Nós não diminuímos o atendimento, o que fizemos foi restringir os atendimentos aos casos graves e paramos de fazer internação de pacientes externos, de outras cidades ou de outros hospitais. Estamos funcionando em escala mínima. Atualmente, no total, são 100 médicos e o ideal seriam 150, de acordo com o que está parametrizado na Secretaria de Estado de Saúde, que seria o quadro completo. E nos plantões, de 12 horas, seriam necessários no mínimo sete médicos e e nós contamos hoje com um ou dois. Com isso, os casos menos graves ficam de 8h a 12h esperando por atendimento”, justificou o diretor do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), o pediatra Cristiano Túlio Maciel Albuquerque.

De acordo com os médicos, o problema vem se agravando devido ao grande número de demissões por falta de condições de trabalho, má remuneração e aposentadorias. Os profissionais pedem por novos concursos e para que o Estado dialogue com as prefeituras das cidades da região metropolitana, como Contagem, Santa Luzia, Sabará, Vespasiano, para que a demanda não seja repassada para a capital, que não dispõe de estrutura atualmente.

Os médicos ainda temem que a situação se torne insustentável neste mês e no próximo, quando se deve ter um aumento dos casos de dengue e de febre chikungunya, além do pico das doenças respiratórias em março. Ainda, pedem por melhorias nas instalações físicas, visando salubridade e segurança no trabalho.

Além disso, os pediatras querem receber valor diferenciado para os plantões de final de semana e equiparação do abono de urgência aos médicos do Hospital João XXIII, uma vez que o João Paulo II também realiza atendimentos de alta complexidade.

Caso não consigam uma resposta favorável do Estado, o Sinmed-MG promete reunir os profissionais, ainda nesta semana, e tomar novas medidas.

Por meio da assessoria de imprensa, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informou que existe uma falta de profissionais no mercado e que há processo seletivo aberto para contratação, mas não há procura. Além disso, dois concursos teriam sido feitos para admissão de médicos em 2009 e 2012, mas o total de vagas abertas não foi preenchido. Ainda, segundo a Fhemig, médicos de outras áreas, como anestesiologista, também estão em falta.  

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