Divisão por verba ajuda a afastar crises no governo

Segundo o estudo, a tendência de concentração de poder e recursos do PT ajuda a explicar a tensão permanente da relação de Dilma com sua base, em especial com o PMDB

iG Minas Gerais |

Rio de Janeiro. No quebra-cabeças em que se transformou a montagem de seu novo ministério, Dilma Rousseff (PT) colheria melhores resultados se definisse as peças da futura equipe a partir do Orçamento da União de R$ 1,8 trilhão, segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas.

Durante mais de um ano, 19 pesquisadores trabalharam com a ferramenta batizada como Mosaico do Orçamento, que permite a visualização da distribuição dos gastos federais.

Ao relacionar a distribuição dos gastos públicos com a indicação política dos ministros entre 2001 e 2014 – entre o fim do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e o primeiro de Dilma – o trabalho concluiu que há maior estabilidade política quando a legenda do presidente divide com os aliados os ministérios mais relevantes, que realmente têm verba para gastar.

Hoje, 89,5% do orçamento federal são despesas obrigatórias. Outros 10,5%, cerca de R$ 185,7 bilhões, se referem aos gastos discricionários que, de fato, estão sujeitos à decisão dos ministros.

Segundo o estudo, a tendência de concentração de poder e recursos do PT ajuda a explicar a tensão permanente da relação de Dilma com sua base, em especial com o PMDB. Partidos com bancadas menores no Congresso administram uma parcela maior dos gastos livres do que o seu principal aliado.

Embora o PMDB, com cinco ministérios, seja a sigla da coalizão que administra a maior fatia do orçamento, 41,9%, essa participação cai para 5,3% na parcela discricionária. Situação diferente do PP que tem apenas o Ministério das Cidades. A pasta, no entanto, detém 1,5% do orçamento, mas libera 12,9% das verbas discricionárias.

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