“Paixão e Virtude” transpõe história de Flaubert para cinema

Curta Circuito - Mostra de Cinema Permanente 2014 apresenta nesta segunda último filme de Roberto Miranda

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Paulo Azevedo vive a “metade” de Ernesto no longa-metragem
europa filmes / divulgação
Paulo Azevedo vive a “metade” de Ernesto no longa-metragem

Conhecido por ter montado filmes importantes, como “A Idade da Terra”, de Glauber Rocha, e “Amor, Carnaval e Sonhos”, de Paulo Cesar Saraceni, Roberto Miranda faleceu em março deste ano, mas antes concluiu seu último o longa-metragem, “Paixão e Virtude”, que será exibido nesta segunda, às 19h, no Cine Humberto Mauro.

O filme, segundo da trilogia que teve início com “Djalioh” (2011), é uma “livre transposição” – como define o ator Paulo Azevedo, que interpreta um dos protagonistas – do conto de mesmo nome do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880). Na trama, a aristocrata de meia-idade Mazza mantém um relacionamento frio e histérico com seu marido, um rico banqueiro. Tudo muda com a chegada do químico Ernesto, com quem Mazza estabelece uma relação dúbia misturando amor, perversidade e situações caóticas. “É um conto que trabalha questões psicanalíticas e contemporâneas, como o posicionamento da mulher. Algo que o torna muito atual”, diz o ator.

Miranda buscou levar a íntegra do conto às telas, porém, como conta Azevedo, utilizando uma linguagem bastante radical e fiel ao seu público. Para isso, inspirou em obras de outros cineastas, como Jean-Marie Straub.

Com relação aos mecanismos de transposição, chama a atenção o fato de os personagens masculinos serem interpretados por dois atores, uma mulher e um homem. Ernesto, por exemplo, é interpretado por Azevedo e pela atriz Bárbara Vida. “É uma forma de mostrar as sombras do personagens, suas divisões internas entre razão e emoção. É também uma forma de mostrar a pulsão interna de cada personagens”, explica o ator.

Além disso, o recurso é um caminho para que não houvesse um julgamento moral assertivo sobre as posturas dos personagens. “Ele queria fugir da relação com os folhetins, daquele olhar maniqueísta”, diz Azevedo.

Estabelece uma interconexão entre as palavras e imagens, as inserções em que a atriz Helena Ignez, como Flaubert, lê passagens do conto que corroboram com a desenvolvimento do longa. “A linguagem do filme foge da percepção confortável usualmente dada pelo cinema”, afirma Azevedo.

Agenda

O quê. Exibição do filme “Paixão e Virtude”

Quando. Nesta segunda, às 19h

Onde. Cine Humberto Mauro (av. Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Entrada franca

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