Um mergulho no tailandês

Oi Futuro e Zeta Filmes lançam livro “Apichatpong Weerasethakul”, que disseca a obra do cineasta e artista visual

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Multiartista. 

Apichatpong, fotografado acima na exposição do Oi Futuro no ano passado, trabalha com cinema e instalações há dez anos
Alexandre C. Mota/Aldeia
Multiartista. Apichatpong, fotografado acima na exposição do Oi Futuro no ano passado, trabalha com cinema e instalações há dez anos

No ano passado, o Oi Futuro apresentou entre julho e setembro uma exposição sobre o aclamado cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul. Idealizada por Francesca Azzi, da Zeta Filmes, a mostra construía um diálogo entre o longa “Hotel Mekong”, de 2012, e outros curtas do diretor que compartilhavam do mesmo universo do filme. “Achei que era uma boa iniciação para o público entrar no universo dele, reconhecer os elementos que são próprios dele e reaparecem nas obras, ajudando a fazer essa viagem pelo Hotel Mekong”, explica a curadora.

A exposição deu tão certo que o Oi Futuro convidou a Zeta a levá-la para seu espaço no Rio de Janeiro. Junto com o convite, veio outra proposta: fazer um livro sobre o tailandês para a coleção Oi Futuro de Arte e Tecnologia. E a obra resultante, batizada com o nome do diretor, será lançada nesta terça, às 19h30, no espaço do instituto no alto da avenida Afonso Pena.

Nas suas 232 páginas, o livro segue o mesmo objetivo da exposição de decifrar o universo audiovisual de Weerasethakul, que assusta os não iniciados na obra do diretor vencedor da palma de Ouro em 2010 por “Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”. “Mas não queríamos que fosse um livro sobre a exposição. Partimos do projeto do ‘Hotel Mekong’ para fazer o mesmo com a obra toda dele, trazendo toda a experiência que já tínhamos, realizando retrospectivas e outros trabalhos com o Apicha”, argumenta Azzi.

Para alcançar esse escopo, Francesca e sua irmã, Daniella Azzi, recorreram ao trabalho do canadense James Quandt, crítico e programador da TIFF Cinematheque em Toronto. Autor do livro “Apichatpong Weerasethakul”, uma das maiores referências sobre o trabalho do tailandês no mundo, Quandt autorizou a tradução do texto “Resistente à Felicidade: Descrevendo Apichatpong”, que trata dos filmes, curtas e instalações realizados por ele até 2009, além de duas entrevistas realizadas com o cineasta em 2005 e 2008.

Para a curadora, porém, o grande tesouro do livro são três textos de autoria do próprio Weerasethakul. “Não são textos científicos. São relatos mais livres, muito ricos e subjetivos, mas sem nenhum traço particular de poesia”, descreve Francesca.

Neles, o artista fala de memórias, da infância, do reencontro com o Nordeste tailandês e a militarização do país, além dos filmes que assistiu quando criança e que o influenciaram e sobre a mitologia de monstros e fantasmas que permeia sua obra. “Trata o cinema dele não com uma perspectiva teórica, mas do ponto de vista pessoal. Como nascem os projetos, como é para ele estar cercado desse universo onírico. Mostra que a obra de um artista não vem de uma coisa imediata, mas de uma construção de reminiscências desde a infância, que ele transporta da vida para os filmes”, analisa a curadora.

O livro ainda conta com um texto do jornalista carioca Rodrigo Fonseca sobre a exposição no Oi Futuro, outro do critico americano Aaron Cutler, em parceria com a artista visual brasileira Mariana Shellard, sobre a obra de Weerasethakul no cinema, além da filmografia completa, ilustrada e comentada dele. “Colocamos também algumas instalações selecionadas porque tem muitas delas que não têm registro, mas incluímos aquelas que achamos importante mencionar”, conta Francesca.

E abrindo a obra, está um texto da própria curadora. “É uma justificativa da exposição, mas para isso, eu analiso algumas características semióticas do cinema dele, rechaçando a ideia de que ele é um artista sensorial, exótico, primitivo, e mostrando que ele tem um olhar arquitetônico, extremamente elaborado e racional”, descreve.

Apesar de admitir que seu texto tem um caráter didático, Francesca ressalta que não se trata de um livro teórico nem voltado só para os iniciados em “Apicha”, como ela o chama. “Os iniciados já vão direto no que eles querem, mas para quem não conhece e quer conhecer, os textos são muito acessíveis e dá para ler só uma parte ou outra que interessar”, ela promete, acrescentando que os tais interessados devem correr, já que serão apenas mil exemplares à venda.

Lançamento

“Apichatpong Weerasethakul”

(Ed. Iluminuras, 232 pág., R$ 53)

Quando. Nesta terça, às 19h30

Onde. Oi Futuro – avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras

O lançamento será seguido da exibição do longa “Hotel Mekong”

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